segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Os erros na enfermagem


Casos como o da menina Sthephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, que faleceu após receber vaselina na veia em vez de soro, em um hospital na zona norte de São Paulo, e do menino Alan Breno, de 2 anos, que recebeu ácido em vez de sedativo, em Minas Gerais, estão longe de serem casos isolados. Pelo contrário, isso é reflexo da precariedade da saúde no Brasil e envergonha essa nação que busca se desenvolver.
Com base nisso, é lançada uma grande polêmica: Por que esses erros acontecem? Será que existe alguma explicação plausível para tantos absurdos? Qual a solução para que as pessoas não percam mais entes queridos por causa de falhas humanas?
O fato é que esses acontecimentos têm se tornado cada vez mais frequentes. Quando pensamos que já vimos de tudo, ligamos a TV e nos deparamos com mais casos que nos deixam boquiabertos. Entre as substâncias que já foram injetadas por engano em alguns pacientes, estão: vaselina líquida, café com leite e até sopa.
Há quem tente justificar as ocorrências, pondo a culpa na má formação dos técnicos de enfermagem, alegando que muitos deles não trabalham por amor. Visam apenas receber o salário no fim do mês. Além disso, o curso técnico, que dura menos tempo que o curso superior, provoca um maior interesse de quem quer entrar rápido no mercado de trabalho.
Por outro lado, há quem defenda que o problema está nas péssimas condições de trabalho dos profissionais de enfermagem, na falta de orientação e supervisão nos hospitais, na sobrecarga de trabalho e, principalmente, nos baixos salários, já que por ganharem pouco, estes profissionais têm que buscar outros meios para se sustentar. Assim, com uma rotina exaustiva, o aproveitamento fica reduzido e eles não dão a atenção necessária aos pacientes.
      

Vejam quem mergulhou nessa discussão também:


Jeferson do Vale Teobaldo, 20 anos.

Graduado em Enfermagem


Faculdade do Vale do Jaguaribe - FVJ


Turma de 2009.1




A população brasileira tem tudo para estar em ótimas mãos. Segundo pesquisas, existem hoje no país 1,5 milhão de enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem formados e aptos a exercerem suas funções no mercado de trabalho. A cada ano, surgem pelo menos cem mil novos profissionais nas respectivas áreas. Honrosamente, posso dizer que a maioria cuida bem dos pacientes, mas infelizmente nunca houve tantos erros cometidos pela categoria como nos últimos tempos.
De acordo com a lei, auxiliares e técnicos só podem trabalhar com a supervisão de um enfermeiro. Todavia, na maioria dos setores hospitalares e/ou em prontos socorros, só encontramos os auxiliares ou técnicos de enfermagem.
O hábito do dia a dia, de fazer aquilo várias vezes, achando que o erro nunca vai acontecer com ele e que a fatalidade nunca vai chegar àquele profissional, são fatores predominantes nesses casos.
Entre os inúmeros erros cometidos pela categoria de enfermagem, não se pode em hipótese alguma jogar a culpa no salário base de cada profissional, tendo ele nível médio ou superior. Hoje, grande parte deles tem de dois a três empregos e a maioria, pelo excesso de cansaço, não consegue realizar nem os procedimentos básicos da profissão.
Acredito que esses problemas acontecem por diversos fatores. O principal deles é a baixa qualidade do ensino nas instituições de formação na área da enfermagem. Realidade que o Brasil em si pode mudar em 100%.
Sou Jeferson do Vale Teobaldo (20). Graduado em Enfermagem pela Faculdade do Vale do Jaguaribe – FVJ, turma de 2009.1, Pós Graduando em Programa Saúde da Família pela Faculdade Latino Americana de Educação – FLATED. Trabalho em unidade básica de saúde na sede do município de Aracati-CE. Finalizando, deixo para reflexão as palavras da mãe de todos os enfermeiros:

"A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto à obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!"    (Florence Nightingale)



Célia Silva Batista

Auxiliar de Enfermagem


FUNASA

Na área desde 1984.



Existe sim um pouco de tudo isso para justificar essa “polêmica questão” na saúde. Em partes, a culpa está na má formação desses profissionais, como também na baixa qualidade dos professores que os formam e daqueles que os supervisionam nos hospitais. Geralmente, esses profissionais vêm de outros plantões cansativos em outros hospitais. Tudo isso para conseguir um salário mais digno.
        Unir e balancear a teoria e a prática quando o assunto é formação em saúde é essencial. Não podemos deixar de ressaltar também a importância de uma boa orientação psicológica para os profissionais da enfermagem e cobrar uma melhor postura dos professores que os encaminham para melhorar a realidade da saúde no Brasil. E o mais importante: a humanização na saúde. Assim, poderemos avançar com qualidade.     


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Ygo Maia

2 comentários:

  1. Prezado Ygo Maia, diante de tantos comentários interessantes nessa postagem, e sabedor da simpatia que você teve pelo meu texto, eu acho interessante que você e os demais amigos analisem também esse artigo que escrevo sobre os médicos. Segue o link:
    http://jornalistaflavioazevedo.blogspot.com.br/2012/04/hipocrisia-na-saude.html

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    Respostas
    1. Flávio, agradeço a sua visita.
      Eu segui o link e li o seu outro texto. Por sinal, muito bom!
      Volte sempre...
      Um abraço!!

      Excluir

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