quarta-feira, 23 de setembro de 2015

[Mergulhei Fundo] - Meus desacontecimentos

Título: Meus desacontecimentos


Autor(a): Eliane Brum


Editora: Leya


Ano: 2014


Nº de páginas: 144



“De algum modo, o jardim manteve intacta uma porção da minha sanidade. Da infância, somos todos sobreviventes.”

“Glória, glória, aleiluia!”. Essa foi a primeira frase que a jornalista Eliane Brum conseguiu ler, quando ainda era bem pequena. O início de uma intensa história de amor com as palavras se deu no meio de uma missa de domingo.

Meus desacontecimentos é um livro com pequenos contos e crônicas sobre a relação de Eliane Brum com as letras – que beira a obsessão, diga-se de passagem. A gaúcha narra a vida, mas também a morte, nos mais diversos sentidos dessas palavras antônimas.

“Escolhi viver sem fronteiras definidas, nações não me interessam, limites só me importam os da ética. Tenho um coração andarilho, um corpo mutante, uma mente transgênera. Sou irmã, mãe, filha, homem, cúmplice, bicho bicho, bicho humano, árvore, erva-daninha, pedra, rio. Vírus. Sou todas as cores, todos os sexos, todas as línguas. Sou palavra em palavras.”

Por vezes, o leitor pode achar o texto de Brum demasiado dramático, como na parte em que ela conta com detalhes um atentado que culminou na morte de uma barata, ou ainda quando ela relembra o dia em que tentou, com retumbante fracasso, incendiar o prédio da prefeitura de Ijuí, cidade onde nasceu.

Analisando de outra forma, o leitor também pode ver que o estilo da autora ao contar histórias, vem de um olhar apurado e extremamente sensível. A jornalista brinca com as palavras e consegue transmitir belas mensagens sobre assuntos aparentemente banais. Essa marca também está presente no livro A vida que ninguém vê (clique aqui), em que anônimos viraram protagonistas nas mãos dela.

“Ser contadora de histórias reais é acolher a vida para transformá-la em narrativa da vida. É só como história contada que podemos existir. Por isso escolhi buscar os invisíveis, os sem voz, os esquecidos, os proscritos, os não contados, aqueles à margem da narrativa. Em cada um deles resgatava a mim mesma – me salvava da morte simbólica de uma vida não escrita.”

Esse é um livro para se ler com calma, mergulhar fundo e, acima de tudo, sentir cada palavra escrita por Eliane Brum. Fica a recomendação!


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