quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

#Resenha: "Extraordinário"

Título: Extraordinário

Autor(a): R. J. Palacio

Ano de lançamento: 2013

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 320



# A história

Esse livro traz a história de August (Auggie) Pullman, um garoto que nasceu com uma deformidade facial em razão de uma síndrome genética.

Auggie passou por diversas cirurgias e complicações médicas. Por essas e outras, nunca foi à escola. Até que um dia, quando já estava com 10 anos, os pais dele decidiram que tinha chegado a hora de o filho estudar em um colégio como qualquer outra criança. Eles sabiam o quanto a adaptação poderia ser difícil para Auggie, então, deixaram bem claro que ele não precisava ir se não quisesse.

Como era de se esperar, Auggie viveu situações desagradáveis e constrangedoras na escola, por conta de sua aparência incomum, mas não desistiu de convencer os colegas de que era igual a todos eles.

# Opinião

Crianças podem ser doces, mas também muito cruéis – embora nem percebam. Nesse livro de R. J. Palacio, esses dois lados são bem marcantes. O jeito humano dos personagens resultou em uma obra sensível e envolvente. Enfim, o título já diz tudo.

Da mesma forma como Auggie encontrou pela frente pessoas que o trataram normalmente, sem se importarem com a sua aparência incomum, ele também teve que lidar com gente preconceituosa e mesquinha.

Além de apelidos e piadas de péssimo gosto, alguns colegas evitavam se aproximar de Auggie para fazer trabalhos, brincar na hora do intervalo ou sentar com ele no refeitório. Pelas costas, até faziam um “jogo” no qual a pessoa que encostasse nele, teria só dois minutos para lavar as mãos e não ser infectado pela “praga”. Isso é cruel!

Desde muito cedo, Auggie teve que ser forte para vencer esse tipo de situação. Uma coisa que eu destaco como fundamental neste processo é a forte ligação que ele tem com a família. Os pais dele são muito presentes e estão sempre perguntando como foi o dia, se correu tudo bem, dentre outras coisas que colaboram para uma relação bastante próxima, cheia de amor e confiança entre eles.

Auggie tem uma irmã chamada Olívia (Via) e eles se gostam muito também. Ela é a filha mais velha e recebe menos atenção que o caçula. As circunstâncias fizeram com que Via tivesse que amadurecer e aprender a “se virar”. Ela lida com isso muito bem, mas em alguns momentos, dá para notar que isso atrapalha a vida dela. O que não se pode negar é que ela ama o irmão incondicionalmente.

O livro mostra ainda que a “embalagem” não define o que uma pessoa é de verdade. Apesar de Auggie não ter frequentado a escola até os 10 anos, ele é um menino muito inteligente. Além disso, o coração dele é um oceano de pureza. As pessoas que se aproximam de Auggie são rapidamente cativadas pelo jeito carismático que ele tem. É só largarem mão dos preconceitos para notarem como Auggie tem conteúdo a oferecer.

Outro destaque do personagem é a paixão dele por Star Wars. Ele fala disso durante o livro inteiro. Eu sou totalmente analfabeto no que se refere a Star Wars, então, sempre que Auggie fazia alguma referência, eu recorria ao Google para conseguir entender. Isso não prejudicou em nada a leitura, pelo contrário. Ficou bem melhor para visualizar algumas características.

Gostei bastante também da divisão dos capítulos. Além de curtos (alguns com apenas uma página), eles foram agrupados em oito partes. Com isso, o leitor tem acesso às visões de vários personagens, o que ajuda a entender como cada um enxerga o protagonista, não se limitando ao que ele imagina que os outros pensam dele.

A autora usa uma linguagem simples e aposta no bom humor, mesmo nos momentos dramáticos. A narrativa flui perfeitamente. São mais de 300 páginas que passam voando. É um livro que eu recomendo com empolgação. Mergulhem fundo e espalhem gentileza.


domingo, 17 de janeiro de 2016

#Resenha: "A árvore que dava dinheiro"

Título: A árvore que dava dinheiro

Autor: Domingos Pellegrini

Ano de lançamento: 1981

Editora: Ática

Nº de páginas: 128


# A história

A árvore que dava dinheiro é um clássico da literatura infanto-juvenil brasileira e faz parte da série Vaga-Lume.

“Tá pensando que dinheiro dá em árvore?”. Quem nunca ouviu essa frase? No livro de Domingos Pellegrini, isso é possível. Porém, o que deveria ser a salvação da lavoura, acaba trazendo muita dor de cabeça aos moradores de Felicidade, uma cidadezinha simples e pacata, como qualquer outra do interior do Brasil.

Em Felicidade tinha um senhor muito pão-duro. Ele não gastava dinheiro com nada. Nem quando estava nas últimas, conseguiu abrir a mão para pagar o próprio tratamento. Quando morreu, o velho deixou um testamento e três sementes, que deveriam ser plantadas na praça da cidade. Fizeram a vontade dele.

Algum tempo depois, começou a crescer uma árvore diferente: nos galhos, surgiam notas de dinheiro. Os moradores ficaram em êxtase com a novidade. Todo mundo queria pegar uma mudinha para plantar no quintal. Chegou um dia em que toda a população estava esbanjando dinheiro, mas o caos se instalou na cidade. A Felicidade ali estava só no nome mesmo.

# Opinião

Mais um livro da série Vaga-Lume que me ganhou. Leitura simples, rápida, divertida e com uma moral bem bacana – o próprio título tem o tom de fábula, de modo que eu já esperava que trouxesse uma “lição”. Apesar de ter sido escrita em 1981, a história se mantém atual. Podemos aplicar as reflexões desse livro perfeitamente nos dias de hoje.

Os moradores de Felicidade passavam por muitas dificuldades. Eles não tinham quase nada. Apenas o básico para sobreviverem. Quando a árvore começou a dar dinheiro, as pessoas mostraram o pior lado delas. O silêncio tomou conta das ruas, porque ninguém conversava com ninguém. Todo mundo olhava para o chão, procurando as notas que caíam dos galhos. Estão notando alguma semelhança com os dias atuais?

Quando cheguei a essa parte, refleti comigo mesmo sobre a nossa realidade. As pessoas presas em seus smartphones, individualistas. Uma guerra em que muita gente quer se dar bem sem fazer muito esforço. Infelizmente, a ganância retratada no livro não é invenção do autor (antes fosse). Em qualquer lugar, a gente pode encontrar pessoas como os personagens dessa trama.

Além de mostrar os malefícios do apego a bens materiais, a obra também expõe como as pessoas cometem abusos e estão preocupadas com a satisfação momentânea, esquecendo-se de que as coisas não duram para sempre.

Eu recomendo esse livro com muito gosto. Uma novela infanto-juvenil para todas as idades. E dou um conselho: estudem e trabalhem, porque dinheiro não dá em árvore.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

[Mergulhei Fundo] - A única esperança

Título: A única esperança


Autor: Alejandro Bullón


Editora: Casa Publicadora Brasileira


Ano: 2013


Nº de páginas: 112


Encontre o real sentido da vida.

Esse livro fala sobre pessoas que conseguiram encontrar a única esperança: Deus. Eu não sou um cara religioso, mas, como leitor voraz, leio o que cai no meu colo. Minha mãe ganhou esse livro de um jovem que estava distribuindo exemplares de porta em porta. Eu estava de bobeira e o peguei para ler.

A obra tem dez capítulos. Cada um é dedicado a um personagem que mudou de vida quando se aproximou de Deus. A primeira é Lúcia, uma mulher que sobreviveu depois de ser baleada pelo marido ciumento durante um ataque de fúria. Ele foi preso e ela seguiu com a vida dela. Uma das filhas, de apenas 13 anos, estava grávida; e Lúcia, sentia-se perdida.

“Fazer o quê? Como ajudar a filha nesse estado? Sentou-se na cama, enquanto a menina dormia ou fingia dormir, cobriu-a com o lençol e chorou contemplando o rosto de sua criança, que, antes do tempo, tornava-se adulta. Beijou o rostinho da garota e saiu (p. 15)”.

O segundo personagem se chama Pedro Paulo, um empresário que trabalha com informática. A empresa dele estava falida e ele entrou em outro ramo: o transporte de narcóticos. Um dia, ele sente um peso na consciência e abandona a mala com as substâncias. Depois disso, vai à procura de um amigo chamado Jair, que o recebe em sua casa sem imaginar o que estava acontecendo.

“O que fazer? Sair correndo e nunca mais regressar? Ou abrir o coração e confessar que estava colocando em risco a segurança da família que o hospedava? Jair não merecia o que ele estava fazendo. Esse sentimento o perturbou profundamente (p. 19)”.












O livro conta ainda a história de João Carlos, um empresário bem-sucedido na profissão, mas que não é feliz; Adolfo, um senhor inconformado com a morte do filho que tinha Aids; Sandra, uma mulher que passou a viver amargurada depois que o noivo a abandonou na porta da igreja; e Ramiro, um homem que lutava contra o câncer em um hospital.

As últimas histórias são sobre Machado, um jornalista aposentado que acreditava em vida após a morte; Gabriela, uma secretária endividada que fez uma besteira em um momento de desespero; Cristiano, um professor universitário de pouca fé; e por fim, Renan, um coronel da polícia militar que enfrentava várias batalhas com bravura, mas era fraco em outros aspectos da vida.

Todos esses personagens encontraram a única esperança. O livro fala muito sobre o estudo da Bíblia. Eu até aprendi algumas coisas. Quem for mais religioso ou simplesmente tiver vontade de ler algo mais leve, buscar um pouco de paz, variar um pouco nas leituras, fica a dica. Um forte abraço e até a próxima.