domingo, 28 de setembro de 2014

[Mergulhei Fundo] - O Mundo de Vidro

Título: O Mundo de Vidro


Autor: Maurício Gomyde


Editora: Porto 71


Ano: 2011


Nº de páginas: 236


“Até onde pode ir a paixão de uma pessoa por outra? Como, quando e por que começa? Até que ponto pode-se cometer alguma loucura para fazer parte da vida de alguém? Quais as consequências da paixão avassaladora incompreendida?”.

Depois de ver muita gente elogiando a escrita do Maurício Gomyde, finalmente, tomei coragem para ler uma de suas obras. O livro já começa de um jeito bem engraçado. O prefácio é uma grande brincadeira. Uma tremenda enrolação. Gomyde faz piada com o fato de não fazer ideia de como escrevê-lo e vai levando com a barriga, enchendo linguiça. Dei risada com as coisas bizarras que ele escreveu. 

O Mundo de Vidro traz a história de um homem um tanto desengonçado, que se apaixona à primeira vista por uma mulher dentro de um metrô. A partir de então, ele muda alguns hábitos para tentar impressioná-la. Porém, ela só o enxerga como um grande amigo. Temos aí o famoso caso de amor não correspondido. 

"Pensou muito na cena e chegou à conclusão de que deveria ter havido um motivo, qualquer um, pra ter perdido o vagão que estava acostumado a pegar, e então ter a oportunidade de esbarrar a sua vida na dela". (p. 32)

Os primeiros capítulos podem parecer meio confusos, mas, aos poucos, vamos compreendendo o enredo. Para mim, a principal dificuldade foi me acostumar com a ausência de nomes dos protagonistas. Depois disso, a leitura fluiu com a força do humor, presente em grande parte da história. Um personagem peculiar, que me fez rir muito durante a leitura, foi o papagaio Horácio (que apesar do nome, é uma fêmea), e seus comentários hilários. 

"Cinquenta por cento da população daquele mundo (ela) representavam a beleza, a doçura, o carinho, a tranquilidade. Os outros cinquenta por cento (ele) representavam o desejo, a vontade, o fascínio pelos cinquenta por cento restantes (ela)". (p. 142)

O ponto alto da história começa quando a protagonista passa a receber e-mails anônimos com capítulos de um livro. Ela vai ficando cada dia mais ansiosa para receber novos capítulos e para descobrir quem está lhe escrevendo aquelas coisas tão bonitas. 

Eu recomendo a leitura para as pessoas que gostam de romances leves, com muito humor. A escrita de Gomyde é excelente. Espero não demorar tanto tempo para ler outro livro dele. 

E aí, o que acharam? Já leram O Mundo de Vidro? Deixem comentários. Abraços!



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

#Resenha: "Assassinato na casa do pastor"

Título: Assassinato na casa do pastor

Autor(a): Agatha Christie

Ano de lançamento: 2012*

Editora: L&PM Pocket

Nº de páginas: 288


# A história

No pacato vilarejo de St. Mary Mead, não acontecia um assassinato há quinze anos. Um lugar onde o passatempo preferido dos moradores é tomar chá enquanto discutem a vida alheia. Nada passa despercebido. Qualquer coisa é motivo de comentários.

O pastor Clement gosta de aconselhar as pessoas e de fazer visitas. Por essas e outras, é muito respeitado entre os moradores. Um dia, ele recebe uma ligação, dizendo que alguém está com problemas de saúde e que a sua presença é muito importante. Sem hesitar, vai à casa do enfermo e descobre que ninguém dali fez a ligação para solicitar sua visita.

Desconfiado, ele volta para casa e tem uma terrível surpresa: há um corpo em seu gabinete. Entra em cena o arrogante inspetor Slack, para investigar o caso. Miss Marple, uma velhinha que gosta de jardinagem, também fica intrigada e revela que, pelo menos, sete pessoas teriam motivos para cometer aquele assassinato.

# Opinião

Livros de Agatha Christie com a Miss Marple são diferentes dos protagonizados por Hercule Poirot. A propósito, são personagens com traços distintos. Mas, em comum, ambos apresentam uma inteligência acima da média. Nesse livro, a observadora Miss Marple usa a sua experiência em analisar o comportamento das pessoas, para desvendar um crime, aparentemente, complexo.

No começo, durante uma conversa com as outras moradoras da aldeia, pode parecer que ela é maldosa e fofoqueira. Na verdade, seus comentários demonstram que a sua visão do mundo vai além do que os olhos das pessoas conseguem enxergar. Isso fica cada vez mais claro no decorrer do livro. De fato, Miss Marple sabe o que diz. E é claro que, pessoas como ela, nem sempre agradam a todos.

Quem narra a história é o próprio pastor Clement, um homem muito inteligente também, que acaba sendo um investigador secundário. Achei interessante a força do suspense no começo do livro. Eu já tinha ideia de qual personagem seria assassinado, mas a narrativa é tão envolvente, que fiquei na expectativa de descobrir como seria o crime e de quando ele iria acontecer.  

Novas pistas surgem no transcorrer das investigações e as suspeitas vão passando de um personagem a outro. Truque comum nos romances da autora. O final não foi tão maravilhoso, mas, ainda assim, conseguiu me surpreender. Minhas buscas estavam indo na direção contrária. É muito difícil descobrir quando Agatha Christie opta pelo óbvio ou pelo improvável.

* Publicado originalmente em 1930.



domingo, 21 de setembro de 2014

Só um final de semana...

Alguém vai me achar louco por causa disso. Ou não. Eu não sei. Acontece que eu necessitava de um final de semana como o que vou contar agora...

Roupas enfiadas dentro de uma mala. Um ônibus lotado, caindo aos pedaços. Uma mistura de odores. Comidas pouco nutritivas, do biscoito recheado ao salgadinho surrupiado de uma mochila qualquer.

Uma espécie de albergue improvisado em um bairro esquisito. Um quarto, igualmente improvisado. Colchonetes desconfortáveis, para quebrar o galho (e a coluna também, por que não?).

Ventiladores de teto barulhentos. Piadas imbecis, em plena madrugada. Água (se tiver) gelada no banheiro. Latrinas imundas. Estômago embrulhado. Camisa suada. Coração disparado. A hora de voltar para casa.

Só queria uma chance de viver esse final de semana. Não deu!



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Entrevista com Ricardo Ragazzo

Olá!

Prontos para mais um mergulho? Hoje, temos uma entrevista com o autor Ricardo Ragazzo, parceiro aqui do blog. Confiram!

Nome completo – Ricardo Ragazzo


Data de nascimento – 31/05/1975


Naturalidade – São Paulo


Grau de formação – Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie / Pós-graduado em Marketing de Serviços pela FAAP


Profissão – Administrador / Escritor


Ygo: Primeiramente, quem é Ricardo Ragazzo?
Ricardo: Acho essa uma pergunta muito difícil de responder. Não gosto de falar sobre mim mesmo. Até por isso, não sou bom de marketing pessoal. No geral, sou um pai de família com um casal de filhos lindos e uma esposa bastante amorosa. Ah! E tenho um beagle chamado Frederico Humberto. Além disso, é importante frisar que o fast-food italiano Ragazzo não é meu (infelizmente).

Ygo: Como surgiu o seu gosto pela escrita?
Ricardo: Posso dizer que o primeiro passo foi dado meio sem querer, fruto de uma necessidade que tive de extravasar alguns sentimentos após o falecimento do meu pai em um acidente de avião. Tudo aconteceu muito rápido, uma tonelada de novas responsabilidades foi despejada no meu ombro aos 23 anos e, a princípio, não soube lidar emocionalmente com isso. Até que, meses depois, decidi escrever uma carta para o meu pai. Nela, despejei tudo o que sentia, da forma mais pura e verdadeira que consegui. Quando algumas pessoas próximas leram o conteúdo, percebi que tinha o dom (e vejo isso como um dom mesmo) de passar emoção através da palavra escrita. A pulguinha havia se instalado atrás da minha orelha. O segundo passo foi o RPG (Role-Playing Game). Fui convidado por um amigo para participar de uma sessão do antigo AD&D. Um amigo dele mestrou o jogo e nos divertimos bastante. Quando fomos jogar uma nova campanha, esse amigo que havia mestrado conseguiu um emprego que ocupava seus finais de semana e não poderia mais participar. A decepção foi geral. Queria tanto jogar que resolvi me oferecer para escrever uma história com a sugestão de revezarmos o mestre (aquele que cria a história) a cada nova campanha. Fiz a primeira história e nunca mais deixei o posto. Eu adorei criar e eles amaram o que eu havia criado. Certo dia, anos depois, um desses meus amigos sugeriu que eu escrevesse um livro. Eu desdenhei do comentário e ele me deu o livro “Os Sete” do André Vianco. Depois falou “Você consegue escrever uma história tão boa quanto essa”. Depois que li o livro, decidi que iria buscar mais informações sobre o assunto. Apaixonei-me por esse lado do universo literário, fiz diversos cursos e acabei escrevendo o polêmico “72 horas para morrer”.

Ygo: Por que 72 Horas para Morrer é um livro polêmico?
Ricardo: Não posso falar sobre isso sem dar spoiler, mas o final do livro é tão elogiado quanto criticado, por conta de um risco que eu quis correr. Basicamente, isso.

Ygo: Este foi o seu primeiro livro, publicado em 2011, pela Editora Novo Século. Qual foi a sensação de ver a obra impressa?
Ricardo: A sensação é indescritível. Publicar um livro é, talvez, uma das maiores conquistas que alguém pode ter na vida. Mas esse sentimento de realização tem que logo dar lugar ao foco quando falamos em escrever como profissão. Muito mais difícil do que publicar, é chegar às estantes dos leitores.

Ygo: Seu segundo livro, A Garota das Cicatrizes de Fogo (2013), também publicado pela Editora Novo Século, tem um toque sobrenatural. De onde veio a inspiração para criar a história?
Ricardo: A inspiração veio de um sonho que tive. Nesse sonho, uma menina (que não sei dizer quem era) tinha o corpo quase todo queimado em um atentado e, no dia seguinte, acordava com a pele lisa, como se nada tivesse acontecido. Achei que daria uma premissa interessante, então comecei a procurar na minha cabeça algo que pudesse justificar isso. Quando encontrei, comecei a escrever o livro.

"A inspiração veio de um sonho que tive", revela o autor.

Ygo: Quais as semelhanças e as diferenças entre o primeiro e o segundo livro?
Ricardo: A violência. “A Garota das Cicatrizes de Fogo” é uma história muito menos sangrenta que “72 horas para morrer”, sem perder, claro, o suspense. Quando um leitor me pergunta a diferença entre ambos, eu digo que AGCF é um suspense com mistério e 72HPM é suspense com terror. Além disso, meu primeiro livro foi focado em um público mais adulto e o segundo já teve como alvo um público mais adolescente. Entretanto, eles acabam agradando as idades mais variadas. Acho isso bem interessante.

Ygo: A banda favorita da personagem Lisa Gomez, de A Garota das Cicatrizes de Fogo, é Judas Priest. Esse gosto musical teve influência sua?
Ricardo: Judas Priest é a banda da minha vida. E isso, claro, teve influência. Mas o gênero metal é muitas vezes o “gênero dos excluídos” e Lisa Gomez tem esse perfil. Tudo se encaixava. Há uma cena no livro, inclusive, em que uso a letra de uma música do Judas Priest chamada “Victim of Changes” comparando-a com o momento que a personagem passa. Tudo na literatura tem sempre uma razão.

Ygo: Lisa tem uma amiga de infância, cujo apelido é Maria Tonelada. Eu li uma resenha em que este fato foi colocado como um ponto negativo do livro, por considerar o tratamento preconceituoso. O que você acha disso? Qual era a sua intenção ao criar a personagem?
Ricardo: Essa é uma boa pergunta. Responderei em duas partes. Em primeiro lugar, claro que não há preconceito. Débora sofre bullying por causa da obesidade. Isso tem que ficar evidente na história para justificar as ações dela após reencontrar Lisa. Duas amigas de infância, hoje solitárias, que acabam se reencontrando em momentos diferentes da vida. O apelido de Debby, inclusive, veio de uma experiência de infância na escola, com uma menina que sofria bastante com isso. Nunca me esqueci dela. Quando escrevia alguma cena, lembrava-me dela, tentando buscar algum detalhe importante que pudesse ser passado. Em segundo lugar, após ver uma resenha relatando esse desconforto, fui reler o livro com outros olhos e percebi que após um determinado momento, já não havia mesmo a possibilidade de usar algumas expressões. Parabéns para quem notou. A segunda edição, sem dúvida alguma, corrigirá isso. 

Ygo: Ainda sobre o livro A Garota das Cicatrizes de Fogo. O protagonista Johnny Falco foi obrigado a tomar uma decisão importante, envolvendo a filha Diana. Como você agiria em uma situação como a dele?
Ricardo: Da mesma forma que ele, sem dúvida alguma.

Ygo: Quais são os seus novos projetos? Está escrevendo algum livro no momento?
Ricardo: Tive câncer de rim no início de 2013 e isso fez com que minha vida mudasse radicalmente em vários pontos. Por exemplo, antes da doença, esporte, para mim, era significado de futebol aos sábados regado a muito churrasco e cerveja. Atualmente, faço pilates duas vezes por semana, jogo futebol sem muito “extra”, duas horas de tênis todos os sábados e corro três vezes por semana, em média, 100 km por mês. Fui convidado para escrever um livro contando minha experiência e as mudanças que ocorreram na minha vida pós-doença. Esse livro deve sair até o final do ano/começo de 2015. Além disso, nesse momento, tenho 80% do meu próximo livro escrito, que será uma distopia em dois volumes sobre um mundo futurista pós-guerras nucleares, químicas e psiônicas, onde violência e demografia passam a ser controladas. Crianças recém-nascidas são submetidas a um processo governamental conhecido como GLIMPSE, que consegue vislumbrar pedaços do futuro dessa criança e, baseado em suas ações e personalidades, decide se sua existência será vetada ou não. Até que minha protagonista nasce e em seu futuro é visto algo bastante perigoso para essa nova realidade governamental.

Ygo: Deixe uma mensagem aos leitores do “Mergulhando Na Leitura”. Obrigado!
Ricardo: Um conceito que me atrai muito é o de que, na vida, ou você faz ou você se desfaz. As opções são bem claras e distintas: Ou agimos e corremos atrás daquilo que queremos, arriscando a possibilidade de dar certo; ou nos submetemos à inexorabilidade do “não fazer nada”, vendo o tempo passar enquanto nos esvaímos na neblina fria de uma vida vazia e sem realizações. A utopia dos nossos sonhos se alimenta de nossos pensamentos limitadores. Liberte-se e seja feliz!


Mergulho Rápido

Ygo: Uma palavra...
Ricardo: Gratidão!
Ygo: Alguém especial...
Ricardo: Família (incluindo meu beagle, claro)!
Ygo: Um sonho...
Ricardo: O mesmo de todo escritor!
Ygo: Uma música...
Ricardo: Illumination Theory – Dream Theater / Warriors of the North – Amon Amarth!
Ygo: Um livro...
Ricardo: O Senhor dos Anéis (toda a trilogia)!
Ygo: Uma comida...
Ricardo: Estrogonofe!
Ygo: Um lugar...
Ricardo: San Francisco!
Ygo: Deus...
Ricardo: Ver primeira resposta! 


* Confiram a resenha de A Garota das Cicatrizes de Fogo, clicando aqui.



domingo, 14 de setembro de 2014

#Resenha: "Amanhã você vai entender"

Título: Amanhã você vai entender

Autor(a): Rebecca Stead

Ano de lançamento: 2011

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 222


# A história

Miranda, uma garota de 12 anos, vive com a mãe na Nova York do final da década de 1970. Certo dia, ela encontra um bilhete misterioso, escondido dentro de um livro que pegou na biblioteca. Assustada, mostra à sua mãe, que tenta lhe tranquilizar, dizendo que o bilhete deveria ser para outra pessoa.

Porém, coisas estranhas começam a acontecer na vida de Miranda. Seu melhor amigo, Sal, é agredido na rua, sem nenhum motivo aparente; um estranho invade a casa onde ela mora; e os bilhetes continuam chegando, alertando-a para a morte de alguém, que ela pode ajudar a salvar.

Detalhes sobre o seu cotidiano, que só ela deveria saber, começam a ser mencionados nas mensagens anônimas. Aos poucos, Miranda vai interpretando os sinais e juntando as peças daquele quebra-cabeça.

# Opinião

Um dos primeiros livros que li na vida, foi: “Amigo não é pra essas coisas”, de Alexandra Lopes. Eu me lembrei dele na mesma hora em que bati os olhos nesse livro, que também tem uma capa colorida, com um aspecto infantil. Após ler a sinopse, mudei de ideia, pois vi que tinha um mistério no meio. Sendo assim, achei que não era um livro que uma criança pudesse ler. Errado! Claro que pode (só não garanto que ela vá entender tudo).

“Um mistério diferente e instigante, que vai encantar todo tipo de leitor”. Esta frase, presente na capa, explica exatamente o que a leitura representa. A história tem um mistério, mas possui um toque infantil também, principalmente, pelo fato de a narrativa ser desenvolvida a partir do olhar de uma garota de 12 anos.

Miranda tem algumas características parecidas com as de Hazel, de “A Culpa é das Estrelas”. Uma menina inteligente, com um repertório vasto de comentários irônicos. E as semelhanças não param por aí. A protagonista criada por Rebecca Stead, também costuma andar de um lado para o outro com um livro, assim como a personagem de John Green.

Só depois da página 30, mais ou menos, comecei a gostar realmente da história. Até então, parecia que eu estava lendo apenas o prólogo. Achei que os fatos demoraram a engatar. A autora teve a felicidade de criar capítulos curtos e com bons ganchos. Fui lendo um capítulo após o outro, esperando que o livro “começasse” de verdade. Assim, terminei a leitura em poucas horas.

O final é surpreendente. Não ficou nenhuma ponta solta. Só posso dizer que o livro preferido de Miranda tem ligação direta com o mistério, que vocês vão entender quando mergulharem nessa leitura. Divirtam-se!



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

#Resenha: "A garota das cicatrizes de fogo"

Título: A garota das cicatrizes de fogo

Autor: Ricardo Ragazzo

Ano de lançamento: 2013

Editora: Novo Século

Nº de páginas: 256


# A história

Johnny Falco perdeu a esposa em circunstâncias inexplicáveis. Aquele corpo, em nada lembrava a linda mulher com quem se casou. Diante de seus olhos, havia apenas um esqueleto coberto com um pouco de pele. Para completar o pesadelo, sua filha havia desaparecido.

Quatro anos se passaram e o caso não foi desvendado. A única pista que Johnny recebeu, foi a de um homem que apareceu morto com as mesmas características de sua esposa. Ele decide investigar por conta própria e chega à Valparaíso, pequena cidade onde Lisa Gomez sofreu um atentado que queimou oitenta por cento do seu corpo.

Lisa passou seis anos com o corpo cheio de marcas. Até que, um dia, acordou em um hospital e todas as cicatrizes haviam desaparecido, misteriosamente. Agora, Johnny e Lisa se conhecem e descobrem uma ligação entre as tragédias que cercam suas vidas.

# Opinião

Comecei a leitura cheio de expectativas, pois a sinopse já havia preparado o terreno para uma história eletrizante. O suspense foi um ingrediente que me fisgou logo no início. O autor mostrou, já no primeiro capítulo, que havia um banquete de mistérios à minha espera.

Uma sacada muito interessante foi iniciar o livro alternando as histórias de dois personagens: Johnny Falco e Lisa Gomez. Quando os caminhos deles se cruzaram, a leitura ficou ainda melhor.

A narrativa prendeu a minha atenção do começo ao fim. Aliás, o final é de tirar o fôlego. Eu gostei muito da escrita do autor, principalmente, pelo uso das metáforas e das pitadas de ironia em alguns momentos. Também adorei os personagens, que não são muitos, mas apresentam características marcantes.

A garota das cicatrizes de fogo é o tipo de livro que precisa ser lido com atenção, pois é cheio de reviravoltas. Tantas informações e tantos mistérios podem confundir os leitores mais desatentos.

Vale destacar também o belíssimo trabalho de diagramação da Editora Novo Século. As entradas dos capítulos ficaram maravilhosas. Nunca tinha visto nada parecido. Sensacional!

Como vocês devem ter percebido, a leitura fluiu perfeitamente. Portanto, o mergulho é mais que recomendado. Até a próxima!