quarta-feira, 27 de maio de 2015

#Resenha: "Conta Comigo"

Título: Conta Comigo

Autor: Wilson Mello

Ano de lançamento: 2010

Editora: Baraúna

Nº de páginas: 78


# A história

Conta Comigo é ambientado na cidade de Patrocínio, Minas Gerais, no início dos anos 90, uma época em que a falta de informação com relação à AIDS era uma das principais causas do preconceito contra os portadores do vírus HIV.

A história é contada em primeira pessoa por Lúcio, um adolescente como qualquer outro. Certo dia, um caminhão de mudanças para na casa ao lado e Lúcio sente algo forte e inexplicável por sua nova vizinha, Marcela.

Olhos tristes, cabeça baixa, esforço para sorrir e parecer feliz. Era assim que Marcela se apresentava. No entanto, Lúcio não descansou enquanto não descobriu o que se passava com ela. A revelação poderia fazer com que ele se afastasse para sempre, mas o amor que surge entre os dois consegue romper qualquer barreira de preconceito da sociedade.

# Opinião

Não se enganem com as poucas páginas desse livro. Wilson Mello não precisou nem chegar aos três dígitos no número de páginas para transmitir uma mensagem tocante e grandiosa aos leitores.

Conta Comigo é uma história de amor e amizade entre dois adolescentes. A narrativa em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Lúcio, faz o leitor se imaginar naquela situação (e até sofrer por isso). Achei o texto do autor extremamente realista. Em alguns momentos, Lúcio se dirige ao leitor diretamente, estreitando ainda mais a nossa relação com o narrador.

Ao falar com a gente, o personagem se torna “possível”, quase saindo da ficção e enveredando pela mente do leitor. A sensação ao terminar esse mergulho, foi de conhecer Lúcio profundamente, por tamanha carga de realidade que ele transmite.

O livro possui uma linguagem simples e fácil de entender, o que dá mais veracidade ao fato de ser contado por um adolescente. O autor conseguiu retratar bem o turbilhão de sentimentos que florescem nessa fase da vida. O Lúcio que estufa o peito como um adulto e que depois chora abraçado aos joelhos como uma criança, num curto intervalo de páginas, é um exemplo fiel da montanha-russa de emoções da adolescência.

O tema AIDS não foi aprofundado, o que não quer dizer que a gravidade da doença tenha sido minimizada. Acontece que o autor escolheu trilhar outro caminho, que pudesse acender uma luz em cima do assunto para quebrar o preconceito, mas, especialmente, trazer a discussão para o lado das relações humanas.

O amor de Lúcio e Marcela enfrenta dificuldades, como em todos os romances, mas supera o clichê ao fazer o leitor refletir sobre a preocupação com o outro, a confiança, a solidariedade, o respeito, a gratidão, o companheirismo e a amizade.

O livro é curto e dá para ser lido rapidinho. Eu fiz só uma pausa para beber água e voltei para concluir o mergulho. Está precisando de uma dica de leitura? Conta Comigo!

# Extra

Se você gosta da temática presente nesse livro, também vai curtir a obra Depois daquela viagem, que já teve espaço na coluna “Mergulhei Fundo”. Confira aqui.



domingo, 24 de maio de 2015

Entrevista com Sinélia Peixoto

Olá, mergulhadores!
Hoje o blog vem com mais uma entrevista. Confiram!


Nome completo Sinélia Espíndola Peixoto          

Data de nascimento 06/12/1977

Naturalidade Brasília/DF

Grau de formação Mestrado

Profissão Professora e escritora

*Autora parceira.


Mergulhando Na Leitura: Vou começar com uma pergunta bem direta: quem é a Sinélia Peixoto?
Sinélia Peixoto: Sinélia é uma professora dedicada, uma mãe que ama seus filhos e faz tudo por eles, uma escritora apaixonada por romances; e uma mulher que ainda não desistiu de si mesma, de se conhecer, de se reinventar e de tentar se melhorar a cada dia.

MNL: Quando foi que você percebeu que levava jeito com a literatura?
SP: Eu sempre amei romances, escrevo poesias desde pequena, resolvi fazer faculdade de letras e depois fiz logo um mestrado em literatura inglesa e em 2013 resolvi escrever uma trilogia.

MNL: Quais são os autores que te inspiram?
SP: Shakespeare, Jane Austen, Robert Frost, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Nicholas Sparks, Paulo Coelho, Emily Giffin, etc.


MNL: Como você avalia a literatura nacional atualmente?
SP: Completamente abandonada. Ninguém está investindo nos autores contemporâneos, somos sempre levados pelos europeus e americanos, a literatura brasileira já está perdendo sua identidade.

MNL: Então, o que poderia ser feito para reverter esse quadro?
SP: Adoraria que o brasileiro investisse no brasileiro. Nós ficamos o tempo todo querendo copiar os outros, em vez de apoiarmos a nossa literatura, os nossos autores. Nem as livrarias querem comprar livros de brasileiros, porque não vendem, e a verdade é que os brasileiros só compram algo que é sucesso lá fora. Os americanos prezam pelo nacionalismo, por que não fazemos o mesmo com nossos autores?

MNL: Qual foi a inspiração para escrever a Trilogia do Eu? E por que ela tem esse nome?
SP: A inspiração surgiu da minha vida e da vida de todas as pessoas que eu convivo. Eu sentava em uma mesa de bar e escutava estórias, então resolvi passá-las para o papel. Eu não sabia que seria uma trilogia, eu comecei a escrever, porque meu terapeuta me disse que precisava esvaziar minha mente e disse que só me liberaria da terapia depois que eu escrevesse algo, e nisso surgiu a trilogia do eu. Acho que esse nome se deve a ter sido um esvaziamento meu, da minha alma, da minha mente. Escrevi os dois primeiros livros em duas semanas, aí fiquei exausta, tirei mais duas semanas pra descansar e em mais duas, eu escrevi o terceiro livro.

MNL: Deve ter sido um trabalho intenso mesmo. Como você conseguiu escrever os livros em tão pouco tempo?
SP: Eu já estava com tudo em minha mente, por isso pra mim foi uma catarse. Eu simplesmente coloquei no papel algo que estava aqui. A estória fluía sozinha, eu acordava e vivia aquilo ali em minha mente. Dormia menos de 4 horas por noite e sentia tudo que os personagens sentiam. Me senti viva ao escrever essa trilogia.

MNL: A trilogia fala sobre a mulher moderna. O primeiro livro, Por que Eu?, já foi publicado pela Chiado Editora. O que as mulheres estão achando dele? E como tem sido a resposta do público masculino?
SP: Graças a Deus as respostas estão sendo bem positivas, recebo muitos e-mails de agradecimentos. Tem alguns homens lendo e se inteirando um pouco sobre o lado feminino e são pra esses homens que escrevi, e tiro o chapéu para aqueles que querem nos entender e nos ajudar em nossa caminhada.

"Me senti viva ao escrever essa trilogia", declara a autora

MNL: A personagem Elizabeth adora filosofar, ouvir música e aconselhar as amigas. Você é assim também?
SP: Sim, adoro ler filosofia e pensar sobre minha vida. A música me inspira, às vezes choro escutando umas e fico com raiva escutando outras, então dependendo do meu humor, uma música faz toda a diferença. Só que em relação a conselhos, eu prefiro ficar quieta, escutar, fazer perguntas, sou de dar minha opinião, mas não gosto de interferir na vida de ninguém.

MNL: O que podemos esperar dos próximos livros da Trilogia do Eu?
SP: O Por Que Não Eu? é o meu livro preferido e também o que eu escrevi primeiro, é sobre reconstrução de si mesma, de perdas e de se levantar depois da queda. Já o Agora Sim Sou Eu! foi escrito na brincadeira, onde a personagem escolhe o que vai enfrentar, então é um livro de alegrias e autoestima.

MNL: Eu li em uma entrevista sua, que você pretende escrever mais dois livros em breve. O que você poderia nos adiantar sobre eles?  
SP: O próximo é sobre traição, já estou escrevendo e fazendo minhas pesquisas. Gosto de escrever estórias reais sobre pessoas reais, assim como nós.

MNL: Deixe uma mensagem especial para as mulheres que acompanham o Mergulhando Na Leitura. Obrigado pela entrevista!
SP: Obrigada a todos, espero que gostem do Por Que Eu? e que consigamos ajudar muitas pessoas a se amarem, se aceitarem, se perdoarem e se entenderem com essa trilogia.

Mergulho Rápido:

MNL: Uma palavra...  
SP: Amor!
MNL: Um sonho...  
SP: Que meus livros cheguem no mundo inteiro!
MNL: Alguém especial... 
SP: São Francisco!
MNL: Um livro... 
SP: Conversando com Deus, de Neale Donald Walsch (só pode ser um?)!
MNL: Um lugar...  
SP: Praia (qualquer uma)!
MNL: Uma música 
SP: Beautiful Day - U2!
MNL: Machismo 
SP: É falta de conhecimento e entendimento, porque somos todos iguais!
MNL: Deus...  
SP: Deveria ser o nosso foco, conhecer e ficar mais próximo de Deus!

CLIQUE AQUI PARA LER A RESENHA DE "POR QUE EU?".



quarta-feira, 20 de maio de 2015

[Mergulhei Fundo] - Ainda não te disse nada

Título: Ainda não te disse nada


Autor: Mauricio Gomyde


Editora: Porto 71


Ano: 2011


Nº de páginas: 236 


As horas avançaram e ela contou os minutos para pegar a bolsa e correr dali. Nem se despediu direito do pessoal. Ganhou a rua, o lugar onde se sentia confortável, em meio à multidão, olhando de relance tantas pessoas no fluxo contrário. Barulho, fumaça, confusão. Seu mundo perfeito”.
Você conhece alguém que escreve cartas até hoje? Pergunta difícil, eu sei. Foi essa a reflexão que o livro de Mauricio Gomyde me proporcionou. Não é novidade para ninguém que o jeito de se comunicar mudou bastante. Escrever uma carta, esperar dias até que a outra pessoa leia aquilo, parece coisa de outro mundo na era de tecnologia, em que tudo acontece já, agora, imediatamente.
A protagonista de Ainda não te disse nada se chama Marina. Vem de uma família italiana e, se dependesse do pai dela, seria uma grande padeira. Marina até tem talento para manusear massas e tudo mais, porém, o que ela gosta de verdade é do mundo da moda. Enquanto não se torna uma estilista famosa, ganha a vida trabalhando em uma agência dos correios.
Até que percebeu, do lado oposto, sozinha, com um copo de café sobre a mesa, a mesma ruiva que entrara na agência aquela manhã. Debruçada sobre um maço de papéis, segurava a caneta. Olhava para cima, como em busca de inspiração, depois baixava a cabeça e escrevia. Por vezes, fechava o semblante, parecia emocionada”.

Marina encontrou “O Anjo Carteiro”, uma mulher que trabalhava escrevendo cartas. Tudo bem que ela se passava por outras pessoas, mas, a questão central é que as palavras que  ela jogava no papel eram capazes de unir e emocionar muita gente.
Um dia, o destino pregou uma peça e a mulher faleceu. O que seria daquelas pessoas que recebiam as cartas do anjo? Se uma carta de alguém que você nem conhece caísse no seu colo, o que você faria? Responderia? Deixaria a pessoa esperando a resposta para sempre? Pois é, foi esse o dilema de Marina.
Decidiu que passaria a ser o novo anjo carteiro. Tomou coragem, estudou para obter as informações necessárias para a farsa não ser descoberta e se entregou à própria sorte. Com o tempo, Marina começou a gostar de receber as cartas e ficava contando os dias para a chegada da próxima.
 “E foi que, durante um tempo impreciso, o dedilhado de um violão invadiu seus ouvidos, fez o corpo estremecer e o coração bater mais forte. Fechou os olhos, sorriu, apenas deixou a grave voz cantar-lhe a mágica história”.

Não vou me estender para não contar o final do livro. Posso dizer que a leitura foi ótima. Deu para notar que o autor mergulhou no universo feminino, pesquisou bastante sobre moda e comportamento das mulheres. A linguagem é simples e a narrativa é bem envolvente. Gomyde sabe brincar com as palavras, sem exageros e enfeites. Já é o segundo livro dele que eu leio (clique aqui para conhecer O Mundo de Vidro) e quero continuar acompanhando suas obras. Recomendo, com certeza!
E aí, o que você achou desse livro? Já leu? Gostaria de ler um dia? Deixe o seu comentário.



domingo, 17 de maio de 2015

#Resenha: "A Estrada da Noite"

Título: A Estrada da Noite

Autor: Joe Hill

Ano de lançamento: 2007

Editora: Arqueiro

Nº de páginas: 256


# A história

O cinquentão Judas Coyne é uma lenda do rock pesado, que gosta de colecionar objetos macabros. Quando ele fica sabendo de um estranho leilão na internet, não pensa muito antes de fazer uma oferta.

Jude estava interessado em aumentar sua coleção peculiar, que já contava com um laço usado em um enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás e até um livro de receitas canibais. Pelo lance mais alto no leilão, o comprador levaria um fantasma para casa.

Fantasmas não causavam medo no roqueiro, que ao longo da vida já estava às voltas com os seus próprios: mulheres que usou e descartou quando viajava em turnês, os colegas de banda que traiu e, principalmente, o pai violento. Agora, mais um chegava em sua vida, através de um paletó adquirido por 1.000 dólares.

Tudo muda quando esse paletó é entregue na casa de Jude em uma caixa preta em forma de coração. Não se tratava mais da presença de um fantasma imaginário ou de fantasmas no sentido figurado. O roqueiro estava diante de um perigo real. O morto era Craddock McDermott, padrasto de uma fã que cometeu suicídio após Jude tê-la abandonado.

Desesperado, Jude faz as malas e cai na estrada da noite com sua namorada para se salvar da perseguição implacável de um fantasma com sede de vingança.

# Opinião

Essa foi uma leitura diferente de todas que fiz até hoje. Não parecia que eu tinha um livro em mãos, mas sim um roteiro de um filme ou série de terror. Roteiro com poucas falas, vale ressaltar, e com muitos detalhes que pudessem orientar e facilitar o trabalho da direção (ou dos leitores), a fim de que nada fugisse da ideia central planejada por Joe Hill.

É assim que o livro se desenvolve. A narrativa é ágil e precisa, capaz de nos transportar para dentro da história e de instigar a nossa imaginação. Os diálogos só aparecem quando se faz necessário. O universo de tensão psicológica deriva da capacidade ímpar que o autor demonstrou de descrever pormenores, ações, cenários e estado emocional dos personagens.

Gostei do protagonista Jude, apesar de ele ser meio estereotipado e um tanto grosso. Os gostos dele são peculiares e ele já demonstrava isso desde pequeno. Certa vez, ao comer um bombom de cereja, imaginou que estava mastigando um olho com cobertura de chocolate. Bizarro, não?

Jude viajava muito e sempre se envolvia com várias mulheres por onde passava. Ele acabava não chamando as moças pelo nome, e sim pelo nome do estado em que as conhecia. A atual namorada dele é a Geórgia, uma personagem que me deixou dividido. Se por um lado eu a achei chata, por ela ficar perguntando bobagens a Jude, por outro, senti pena, porque o roqueiro era frio demais com ela.

Outro ponto interessante são os cachorros do protagonista, que se tornam figuras importantes no enredo. Eles são como os guardiões de Jude e Geórgia. A trama mostra esse aspecto curioso a respeito da sensibilidade espiritual dos cachorros. Eu acredito nisso. E vocês?

Mergulho altamente recomendado.

# Extra

Foi durante a leitura desse livro, que tive a ideia de fazer o post “A volta dos que não foram”. Vocês podem conferir aqui.



domingo, 10 de maio de 2015

A garçonete


— A senhora ainda não entendeu que eu não aceito o seu namoro com aquele vagabundo?
— Mais respeito comigo, Laura. Quando você souber o que é o amor, vai entender o meu lado.
— Amor? A senhora sabe o que é amor, mamãe? Desde que o meu pai morreu, essa casa parece um bordel. A senhora não se dá respeito.
Irritada, Virgínia quase perdeu o controle. Chegou a erguer a mão para bater em Laura, mas respirou fundo e disse:
— Cansei de discutir com você. Vá para o seu quarto agora!
Laura apenas deu de ombros e subiu as escadas correndo.
Na hora do jantar, Virgínia foi até o quarto da filha e viu um bilhete largado na cama, o armário vazio e a janela semiaberta. Àquela hora, Laura estava vagando pelas ruas movimentadas da cidade, lançada à própria sorte.
Laura era uma jovem bonita e valorizava essa qualidade. Gostava de se arrumar, de usar perfumes caros e de desfrutar de todas as mordomias. Mas agora as coisas mudaram.
À sua direita, um motorista baixou o vidro do carro e fez um convite indiscreto. Do outro lado, viu uma placa que dizia: “VAGA PARA GARÇONETE”.  Ela fez a sua escolha.
Apesar do jeito de patricinha, Laura sabia se virar nas tarefas domésticas e cozinhava como ninguém. Então, decidiu entrar no restaurante para preencher a vaga de garçonete. Sua simpatia fez o dono do estabelecimento contratá-la na hora.
Em casa, Virgínia sofria com a falta de notícias da filha e pensou em ligar para a polícia. Desistiu. Poderia esperar um pouco mais.
Veio o domingo de sol.
O restaurante em que Laura começou a trabalhar estava lotado. Uma família de quatro pessoas chamou a atenção da jovem. “Não pode ser”, pensou ela.
O namorado da sua mãe era casado e tinha dois filhos. Friamente, ela foi atendê-los:
— Boa tarde! O que desejam?
— Boa tarde! –respondeu a mulher.
O homem evitava o contato visual com Laura. Ele estava visivelmente constrangido.
— Nós preparamos o melhor almoço da cidade. Vocês sairão daqui muito satisfeitos. –prometeu Laura, com uma voz amável.
O almoço foi servido e Laura voltou para o balcão. Segundos depois, houve um tumulto em uma das mesas. As pessoas formaram um círculo em volta do homem que agonizava no chão. A esposa gritava para chamarem um médico.
Laura escondeu o frasco de veneno que usou para se vingar do homem que enganava a mãe dela. Em seguida, pegou o telefone:
— Mãe? Aqui é a Laura.
— Minha filha, aonde você se meteu? Eu vou te buscar.
— Não precisa. Eu volto para casa ainda hoje e tenho uma novidade...
— Qual novidade?
— Resolvi aceitar o seu relacionamento com aquele cara. Espero que sejam felizes!



quarta-feira, 6 de maio de 2015

#Resenha: "Se eu fechar os olhos agora"

Título: Se eu fechar os olhos agora

Autor: Edney Silvestre

Ano de lançamento: 2009

Editora: Record

Nº de páginas: 304


# A história

Abril de 1961. Uma pequena cidade do Rio de Janeiro.

Dois meninos de 12 anos, Paulo e Eduardo, brincam em um lago após terem sido expulsos da aula, quando encontram o corpo de uma linda mulher, que foi morta e mutilada. Um dos seios fora brutalmente arrancado.

A explicação oficial do crime foi a de que o marido, dentista da cidadezinha, a teria assassinado por ciúmes. Ele foi à delegacia e confessou, mas para Paulo e Eduardo, o caso não parecia ter chegado ao fim. Queriam investigar a fundo.

# Opinião

Edney Silvestre é um jornalista experiente e tem várias coberturas marcantes no currículo, como dos ataques de 11 de setembro, dos furacões na Flórida, dentre outras. Se eu fechar os olhos agora rendeu a ele o prêmio São Paulo de Literatura, como o melhor livro de autor estreante em 2010. No mesmo ano, venceu também o Prêmio Jabuti de melhor romance.

Sim, por essas informações eu já tinha muitas expectativas ao começar a leitura. Vou logo avisando que fui bem amparado e que o mergulho valeu a pena.

Paulo e Eduardo são os típicos garotos de 12 anos que ainda não sabem o que esperar da vida. Imaturos, mas sempre com aquela vontade de sair peitando o mundo. Investigar um assassinato, brincar de detetive, tudo era muito empolgante para os dois. O perigo que estavam correndo era só um detalhe.

A escrita do autor tem um tom quase poético. A trama é densa, porém a suavidade que Silvestre imprimiu à narrativa fez a leitura fluir com leveza. No meio disso tudo, ainda tem espaço para situar o leitor no Brasil dos anos 60, trazendo o contexto da desigualdade social, da política, entre outras coisas que só ajudaram a enriquecer a obra.

A dose de suspense teve a medida certa. O desfecho foi dado muito rapidamente, mas eu gostei da forma como os garotos chegaram até ele. Eu também senti dificuldade para entender algumas partes em que vários segredos são revelados. Sou fã dos diálogos ágeis, mas precisei de um tempo para compreender a teia que ligava a maioria dos personagens.

Principalmente nas últimas páginas, você não pode fechar os olhos nem por um segundo. Fica a dica!