domingo, 10 de maio de 2015

A garçonete


— A senhora ainda não entendeu que eu não aceito o seu namoro com aquele vagabundo?
— Mais respeito comigo, Laura. Quando você souber o que é o amor, vai entender o meu lado.
— Amor? A senhora sabe o que é amor, mamãe? Desde que o meu pai morreu, essa casa parece um bordel. A senhora não se dá respeito.
Irritada, Virgínia quase perdeu o controle. Chegou a erguer a mão para bater em Laura, mas respirou fundo e disse:
— Cansei de discutir com você. Vá para o seu quarto agora!
Laura apenas deu de ombros e subiu as escadas correndo.
Na hora do jantar, Virgínia foi até o quarto da filha e viu um bilhete largado na cama, o armário vazio e a janela semiaberta. Àquela hora, Laura estava vagando pelas ruas movimentadas da cidade, lançada à própria sorte.
Laura era uma jovem bonita e valorizava essa qualidade. Gostava de se arrumar, de usar perfumes caros e de desfrutar de todas as mordomias. Mas agora as coisas mudaram.
À sua direita, um motorista baixou o vidro do carro e fez um convite indiscreto. Do outro lado, viu uma placa que dizia: “VAGA PARA GARÇONETE”.  Ela fez a sua escolha.
Apesar do jeito de patricinha, Laura sabia se virar nas tarefas domésticas e cozinhava como ninguém. Então, decidiu entrar no restaurante para preencher a vaga de garçonete. Sua simpatia fez o dono do estabelecimento contratá-la na hora.
Em casa, Virgínia sofria com a falta de notícias da filha e pensou em ligar para a polícia. Desistiu. Poderia esperar um pouco mais.
Veio o domingo de sol.
O restaurante em que Laura começou a trabalhar estava lotado. Uma família de quatro pessoas chamou a atenção da jovem. “Não pode ser”, pensou ela.
O namorado da sua mãe era casado e tinha dois filhos. Friamente, ela foi atendê-los:
— Boa tarde! O que desejam?
— Boa tarde! –respondeu a mulher.
O homem evitava o contato visual com Laura. Ele estava visivelmente constrangido.
— Nós preparamos o melhor almoço da cidade. Vocês sairão daqui muito satisfeitos. –prometeu Laura, com uma voz amável.
O almoço foi servido e Laura voltou para o balcão. Segundos depois, houve um tumulto em uma das mesas. As pessoas formaram um círculo em volta do homem que agonizava no chão. A esposa gritava para chamarem um médico.
Laura escondeu o frasco de veneno que usou para se vingar do homem que enganava a mãe dela. Em seguida, pegou o telefone:
— Mãe? Aqui é a Laura.
— Minha filha, aonde você se meteu? Eu vou te buscar.
— Não precisa. Eu volto para casa ainda hoje e tenho uma novidade...
— Qual novidade?
— Resolvi aceitar o seu relacionamento com aquele cara. Espero que sejam felizes!



2 comentários:

  1. Oi Ygo!
    Adorei o seu texto, muito bom! O final foi surpreendente, não esperava que ela ia matar o homem!

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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    Respostas
    1. Que bom que você gostou, Sora.
      Volte sempre! Beijos!

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