domingo, 30 de novembro de 2014

[Mergulhei Fundo] - Limão Rosa

Título: Limão Rosa


Autor(a): Flora Figueiredo


Editora: Novo Século


Ano: 2009


Nº de páginas: 72


“Se houver receita que atenue o machucado,
quem sabe um dia ainda se veja restaurado
este pobre coração de esparadrapo”. (Curativo)

Cada poeta – e demais escritores, em geral – desenvolve um estilo próprio. Ele transforma sentimentos em palavras, na medida do possível, obviamente. O fato é que cada um se expressa de um jeito único. E o jeitinho Flora Figueiredo de fazer poesia, me fascinou.

Já li poesias de todos os tipos, creio eu. Das mais sofridas e melancólicas, às mais alegres e extravagantes. Em Limão Rosa, pude perceber uma poetisa que usa as rimas como brinquedos, jogando-as no papel, natural e profundamente, conseguindo ser objetiva ao transmiti-las, sem rodeios. Frases curtas e imediatas, porém, vivas e, muitas vezes, desconcertantes.

“Quero também a bula detalhada
para não usar a sensação de forma errada,
caso isso seja um novo amor, mais uma vez”. (Corpo estranho)

Várias poesias não passam de versinhos de três ou quatro linhas. É pouco? Ora, poesia é isso! Sua grandeza não está no tamanho da estrofe, mas no olhar de quem a escreve. Com relação a isso, Flora foi bastante feliz. Ela observou o mundo ao seu redor, captou o que havia de mais belo, transformou em arte e compartilhou. Sou grato!

A leitura foi extremamente rápida. Se o livro tivesse 400 páginas, eu também teria lido tudo de uma só vez. Eu não conhecia a autora, mas agora pretendo acompanhar outros trabalhos dela. Quem gosta de poesia, vá fundo! Anote a dica.
  
“O que não ousei, diluiu-se na água estagnada.
O que não protestei, anulou-se na bandeira abandonada.
O que não amei, desfez-se sem adeus, não deixou nada”. (Lacunas)

Alguém já leu esse livro? O que vocês acharam? Recomendem livros de poesias nos comentários. Abraços!



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

#Resenha: "Um Porto Seguro"

Título: Um Porto Seguro

Autor: Nicholas Sparks

Ano de lançamento: 2012

Editora: Novo Conceito

Nº de páginas: 414


# A história

Katie é uma jovem misteriosa que apareceu na pequena cidade de Southport, na Carolina do Norte. Com o pouco dinheiro que tinha, alugou uma cabana simples para recomeçar a vida do zero. Conseguiu um emprego de garçonete no restaurante local chamado Ivan’s e, aos poucos, foi se adaptando às escolhas que havia feito.

Ela conheceu Jo, sua nova vizinha, que rapidamente já se considerava a sua amiga de infância, dando conselhos e se convidando para tomar vinho, sem fazer cerimônia. Apesar de Katie querer manter a discrição, sua beleza não a deixava passar despercebida. Logo, o viúvo Alex, pai de dois filhos pequenos, se viu apaixonado pela nova moradora de Southport.

O sentimento era recíproco. Porém, Katie não conseguia se entregar. O passado ainda a amedrontava e ela não sabia como se livrar dele. Naquelas circunstâncias, talvez o seu porto seguro fosse viver esse amor intensamente.   

# Opinião

Faz tempo que eu tenho esse livro, mas adiei ao máximo a leitura. A impressão negativa que ficou depois da última obra que li do autor (Um Homem de Sorte), contribuiu para que eu deixasse Um Porto Seguro alguns meses no final da fila. Somado a isso, o número de páginas me fez pensar que a decepção poderia ser maior. Dei prioridade aos livros policiais – basta dar uma olhada nas resenhas anteriores para notar isso – e, só agora, senti a necessidade de encarar um mergulho romântico. Nicholas Sparks foi a minha sábia escolha.

Serei franco. A sinopse não é a mais inovadora do mundo. A proposta passa longe de querer reinventar a roda. Pelo contrário. O estilo é aquele mesmo já conhecido do autor. O que tornou a história interessante foi o jeito de contá-la. A escrita de Sparks é envolvente e vai fundo nos detalhes. O texto nos transporta para dentro do livro, tamanha é a verdade contida nas palavras.

Katie, a protagonista, apesar de parecer frágil, mostrou-se uma mulher forte e corajosa, que soube dar a volta por cima. Gosto de personagens assim, porque me dão motivos para torcer por eles. E Katie me deu vários. Outra personagem interessante é Jo. Durante boa parte do livro, eu tinha em mente que iria detoná-la nesta resenha. Além de forçar a barra para ser a best friend de Katie, ela ficava dando palpites na vida dela o tempo todo. Porém, no final, desconstruí toda essa ideia e passei a admirá-la muito e a compreender suas atitudes.

Também gostei muito do personagem Alex. Ele tem uma relação linda com os filhos e faz um esforço admirável para dar a eles o melhor da vida. Quando Katie e ele se apaixonaram, tiveram que enfrentar as mais diversas dificuldades para ficarem juntos. Foi neste momento que surgiu o vilão Kevin, um cara medonho e cínico, que buscava, na Bíblia, justificativas plausíveis para suas atrocidades. Através dele, o livro trouxe à tona uma discussão muito séria e atual (sem spoiler).

O final é bem agitado, cheio de ação. O que resta ao leitor é ficar na torcida, com o coração acelerado. Quando a tensão acaba, as últimas páginas ainda trazem uma revelação de cair o queixo. Para mim, foi uma surpresa e tanto. Mergulho recomendado!



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

#Resenha: "Se arrependimento matasse"

Título: Se arrependimento matasse

Autor: Alma Cervantes

Ano de lançamento: 2013

Editora: Novo Século

Nº de páginas: 248


# A história

Depois de alguns anos sem se verem, Alex, Alice (um garoto) e Rebeca decidem se reencontrar para matar a saudade e colocar o papo em dia. Os pais de Alex são proprietários de um hotel e, para os três amigos, não havia lugar melhor para uma ocasião tão especial.

Charles e Vera, donos do hotel, se organizavam para receber um convidado que poderia ser a solução para os problemas financeiros os quais enfrentavam. Prepararam uma única mesa de jantar para acomodar os poucos hóspedes e o investidor que chegaria naquela noite.

Por alguma razão, o homem não apareceu, mas o jantar seguiu tranquilamente. Em seguida, Alex e seus amigos resolveram jogar pôquer com alguns hóspedes para passar o tempo. Finalizado o jogo, todos seguiram para seus respectivos quartos e foram surpreendidos por uma queda de energia.

Quando a luz retornou, um dos empregados alarmou por causa de uma tragédia: o cozinheiro foi assassinado. A tempestade lá fora os impedia de fugir. Além disso, os carros haviam sido sabotados. O assassino poderia estar entre os hóspedes e o clima de suspeita aumentava a cada instante.

# Opinião

Alma Cervantes é fã de Agatha Christie. A influência desse gosto é facilmente percebida em sua obra, que apresenta algumas semelhanças com relação às características dos personagens, a ambientação da trama e o próprio estilo de contar a história. Como eu também faço parte do clube que estende um tapete vermelho para a “Rainha do Crime”, a leitura foi bastante confortável.

O assassinato que desencadeia todos os acontecimentos do livro foi uma jogada corajosa, a meu ver. O autor optou pelo mistério acerca da morte de um cozinheiro que estava distante do foco da narrativa. Isso causou um alvoroço positivo e serviu para apimentar a sinopse e instigar os leitores. Funcionou muito comigo.

Os elementos-chave para manter o suspense em alta estavam na personalidade forte dos personagens e nas descrições minuciosas, enfatizando toda a tensão proposta no livro. Fiquei enfeitiçado com a escrita do autor, que demonstrou segurança do começo ao fim. Sem dúvida, um dos destaques da obra.

Desta vez, não tentei adivinhar como a história acabaria. Não fiz a lista de suspeitos, nem levantei hipóteses, pois queria ser surpreendido. O final é coerente e, acima de tudo, chocante. A única coisa que me incomodou foi a monotonia na hora da revelação. Acho que a explicação poderia ter sido mais dinâmica.

Leiam esse livro e vocês não vão se arrepender. Alma Cervantes não ficou devendo em nada para os nomes consagrados do gênero policial. Mostrou-se uma ótima opção para aqueles que curtem mergulhar em um bom mistério. Fica a dica!

# Extra

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