quarta-feira, 30 de julho de 2014

[Mergulhei Fundo] - A arte da imperfeição

Título: A arte da imperfeição


Autor(a): Brené Brown


Editora: Novo Conceito


Ano: 2012


Nº de páginas: 184



“É muito importante o quanto nos conhecemos e compreendemos, mas existe algo que é ainda mais essencial para uma vida integral e plena: amar a nós mesmos”. (p.14)

É comum ver as pessoas fazendo cara feia para livros de autoajuda. Na minha concepção, essa “resistência” se dá pelo fato de que elas veem essas obras como uma espécie de manual para viver bem. É como se a vida tivesse um passo a passo. Será que encarar a vida como um móvel ou como um eletrodoméstico vai torná-la mais fácil? Já outras gostam de livros de autoajuda por se sentirem bem com as mensagens que eles transmitem. O que há de errado nisso? Eu consigo compreender os dois lados.

Gostei de alguns livros que eu li do gênero. Agora, A arte da imperfeição garantiu o seu lugar nesta pequena lista. O que eu vou dizer pode ser considerado um clichê do tamanho da Rússia, mas a verdade é que finalizada a leitura, fiquei com a sensação de que a pesquisadora, escritora e professora, Brené Brown, escreveu o livro especialmente para mim. Quem nunca sentiu isso?

“Somente quando tivermos coragem suficiente para explorar a escuridão, descobriremos o poder infinito da nossa luz”. (p.25)

Brené Brown é especialista em vergonha, autenticidade e pertencimento. No decorrer do livro, ela expõe os resultados obtidos em anos de pesquisa com homens e mulheres, além de dividir com os leitores as suas experiências pessoais. A obra é apresentada em tópicos específicos, em que a autora explica vários sentimentos como: medo, coragem, gratidão, culpa, alegria, entre outros.

Uma das coisas que eu mais gostei foi de que ela respeitou as particularidades dos entrevistados e ofereceu ao leitor mais de um direcionamento sobre determinado tema. Destaco também o uso da sigla D.I.A, que possui um significado amplo, mas de forma resumida quer dizer: Deliberação Inspiração Ação. Os capítulos sempre terminam nos perguntando como aproveitamos o nosso D.I.A.

“Quando nos desculpamos por algo que fizemos, reparamos erros que cometemos, ou mudamos um comportamento que julgamos inadequado, a culpa, normalmente, é a motivação”. (p.68)

A parte em que a autora começa a explicar o perfeccionismo é o melhor momento da leitura. A perfeição é algo utópico e ela descreve as angústias de pessoas que sofrem por levarem uma vida buscando uma posição inatingível.

Foi um grande exercício de reflexão. Recomendo! Quem já leu?



quarta-feira, 23 de julho de 2014

#ESPECIAL: Olga - Parte 2

Olá, mergulhadores!

Vamos continuar? Hoje nós temos a segunda parte da série especial sobre o livro Olga. Para ler a primeira parte, clique aqui


< contém spoiler >

O livro começa mostrando os primeiros passos da personagem-título na caminhada em prol do comunismo. Nascida em Munique, filha de Eugénie Gutmann Benario, dama da alta sociedade, e de Leo Benario, advogado social-democrata, Olga se desligou da vida burguesa e entrou pela primeira vez em uma organização comunista aos 15 anos de idade. Seu destino começou a ser traçado quando foi convocada para a sua primeira missão: uma colagem clandestina de cartazes.

Olga conheceu o escritor Otto Braun e os dois tiveram um relacionamento. Algum tempo depois, ele seria preso em Moabit, por “alta traição à pátria”, enquanto ela teria o seu nome estampado em uma edição extra do diário Berliner Zeitung am Mittag, após comandar a operação que libertou seu companheiro. O fato foi descrito pelo jornal como uma “ousada cena de faroeste”.

Cada vez mais envolvida na luta pela revolução proletária, Olga deixou seu relacionamento com Otto em segundo plano, até que um dia rompeu o compromisso. Foi eleita para o Comitê Central da Juventude Comunista Internacional e posteriormente ingressou em cursos paramilitares na URSS. A coragem e a ousadia colocaram-na diante do brasileiro Luís Carlos Prestes, o “cavaleiro da esperança”.

O líder da “Coluna Prestes”, que comandou um exército por 25 mil quilômetros durante o movimento de oposição à República Velha, retornaria ao Brasil depois de alguns anos em Moscou, na tentativa de promover uma insurreição popular em seu país. Diante disso, Dmitri Manuilski, secretário do Comintern (Internacional Comunista), convocou Olga para cuidar da sua segurança durante a viagem.

O governo de Getúlio Vargas estava empenhado em capturar o “cavaleiro da esperança”. Então, Olga e Prestes se passaram por um casal em lua-de-mel para despistá-lo. Havia um sentimento de admiração mútua entre eles e essa proximidade culminou em um romance em meio à conspiração dos comunistas. Porém, a rebelião de 1935 foi um fiasco e ambos foram capturados pelo chefe da polícia política, Filinto Müller. Àquela altura, Olga estava grávida quando a separaram de Prestes. Sua filha seria arrancada de seus braços logo após o período de amamentação.

Na prisão, Olga tomou conhecimento de que as forças militares da Alemanha nazista já ocupavam vários países da Europa. Ela resistiu bravamente às sessões de tortura e permaneceu em silêncio quando questionada sobre os planos dos comunistas. Lutou até o último instante, mas o retorno ao seu país de origem, dominado por Adolf Hitler, foi inevitável. Em 1942, Olga foi executada em uma câmara de gás, em Bernburg.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Clássicos na estante

E aí, mergulhadores. Tudo bem?

Hoje eu venho mostrar a vocês os clássicos que tenho na minha estante. Muitas pessoas só leem esses livros quando os professores do colégio “obrigam”. Inclusive, eu já fiz um post sobre isso (clique aqui).



Comprei estes livros por um preço mínimo. Cada um custou apenas R$ 5,00. Não resisti e abracei logo meia dúzia. Afinal, não é todo dia que você encontra livros tão baratos, não é mesmo?


1 - Eça de Queirós


















2 - José de Alencar


















3 - Machado de Assis


















Então é isso, mergulhadores. Espero que tenham gostado. Já leram algum destes clássicos? O que vocês acharam? Deixem comentários. Até a próxima!




domingo, 13 de julho de 2014

#ESPECIAL: Olga - Parte 1

Olá, mergulhadores!

Resolvi fazer uma série especial sobre o livro Olga, de Fernando Morais. Hoje nós temos a primeira parte. Espero que vocês apreciem o mergulho. Vamos lá?



Olga. Essas quatro letras trazem consigo a força de uma judia comunista alemã, entregue a Hitler pelo governo Vargas. Em 1985, o jornalista Fernando Morais deixou a sua marca na literatura brasileira ao retratar com sensibilidade e competência a trajetória da mulher que lutou “pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo”.

Fruto de um árduo trabalho de pesquisa, o livro vai além da biografia de Olga Benario Prestes. Em sua composição, é possível visualizarmos o período em que os fatos ocorreram, graças à união entre texto e contexto, tão bem explorada por Morais. O resultado é o que o leitor pode considerar uma aula de História Geral e do Brasil.

As investigações tiveram início em 1982, coincidindo com os últimos anos do regime militar no Brasil. Com isso, ele encontrou o primeiro obstáculo: a censura. Morais se surpreendeu também com a escassez de material sobre Olga no país. Movido pela inquietação, característica básica de um bom jornalista, partiu em busca do “tesouro”, que viria a ser descoberto na República Democrática Alemã (RDA).

O esforço lhe rendeu entrevistas e documentos preciosos, que seriam acrescidos às informações inéditas fornecidas por Luís Carlos Prestes. O autor aponta que durante a apuração esteve muitas vezes no lugar certo, na hora certa. Destaca a importância que a “sorte” tem na vida do repórter, sendo complementar ao trabalho deste, pois foi assim que ele conseguiu alguns depoimentos para a construção do livro.

O autor coletou dados em Berlim, Milão e Washington e teve acesso a fotografias inéditas em Buenos Aires. Porém, chegou um momento em que a falta de tempo e de dinheiro o obrigaram a recorrer ao telefone e ao correio para dar continuidade às pesquisas. Ele contou ainda com documentos enviados por anônimos militantes comunistas, que se dispuseram a ajudar quando souberam do seu trabalho.

As histórias que o pai de Morais lhe contava durante a adolescência sobre Filinto Müller, chefe da polícia política de Vargas, ficaram gravadas em sua memória e o motivaram a escrever o livro. Ele garante que os fatos ocorreram exatamente como foram descritos na obra, uma vez que não se trata da sua versão dos episódios, mas da versão que ele acredita ser a real. 


quarta-feira, 9 de julho de 2014

[Parceria] - Nádia São Paulo

Olá, mergulhadores!

Hoje eu venho falar sobre uma nova parceria. Conheçam a autora Nádia São Paulo e os seus livros publicados. Vamos lá?


Sinopse:

Olívia sempre foi uma garota muito solitária. Rejeitada pela família, pelo grande amor da sua vida e por uma amiga da escola. Aos treze anos de idade, resolve fugir de casa para tentar um futuro melhor. Mas, as coisas não acontecem exatamente como ela imagina, e sem opção, acaba passando quase um ano vivendo como menina de rua. Um dia, é surpreendida por uma mulher que decide lhe dar abrigo, alterando completamente o curso do seu destino. Mas, segundo a misteriosa mulher, tanta mudança terá um preço muito alto na vida da garota, e um dia, terá que ser pago.






Sinopse:

Realidade, ou loucura? Morte acidental, ou homicídio? Que mistérios envolvem a casa onde Elizabete e sua família, irão morar? Essa é a história de Elizabete, seu marido Eduardo e a única filha do casal, a adolescente Ana Julia. Uma família muito divertida e bem-humorada, que está de mudança para Guarapari. Um belo balneário situado no estado do Espírito Santo. Acostumados com uma vida de mudanças, eles adoram imaginar como será a nova casa, quem serão os novos amigos, vizinhos, e o que o destino lhes reserva... Enfim, divertem-se imaginando o que virá pela frente. Mas, infelizmente, desta vez a aventura não será tão agradável como de costume. Eles farão parte de uma trama sobrenatural, cheia de suspense e aparições, onde terão que desvendar um grande mistério envolvendo a casa onde irão morar.Todo esse mistério acabará colocando em risco o bom relacionamento da família, a sanidade mental de Elizabete e a vida da jovem Ana Julia.


Sobre a autora:

Exemplares autografados pela autora
Nádia São Paulo nasceu em Salvador – BA. É formada em Gestão e Design de Moda pela UNIFACS, e trabalhou vários anos como bancária. Tem grande paixão pelas artes em geral, e desde criança é leitora voraz dos livros de suspense e policial, fato que a levou a sentir uma grande necessidade de criar suas próprias histórias. Seus autores favoritos são Agatha Christie, Sidney Sheldon, Arthur Conan Doyle, Dan Brown, e atualmente André Vianco. Fora do gênero de suspense, policial e terror, gosta muito de ler os livros de Paulo Coelho.


Outros trabalhos:

A autora também publicou o livro "Assassinato no baile de debutantes", pela Editora Multifoco. Vocês podem conferir aqui


Acompanhe a autora:




quarta-feira, 2 de julho de 2014

#Resenha: "A garota que eu quero"

Título: A garota que eu quero

Autor: Markus Zusak

Ano de lançamento: 2013

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 176



# A história

Alguma vez o sentimento de derrota tomou conta de você? Pois é. Cameron é dominado por tal sentimento em boa parte deste livro que encerra a trilogia Irmãos Wolfe.

Diferentemente de Steve, seu irmão mais velho que tem talento para jogar futebol, e de Ruben, seu irmão bom de briga que faz sucesso com as garotas, Cameron não possui – pelo menos é o que ele acha – uma qualidade que o destaque dos demais. O pai dele voltou a trabalhar como encanador depois de um tempo desempregado, a mãe continua trabalhando muito e cozinhando mal e Sarah, sua outra irmã, parece ter finalmente sossegado e não chega mais embriagada em casa.

Uma garota chamada Octavia era a mais nova conquista de Ruben e, assim como as outras, não durou muito. Enquanto isso, Cameron esperava pela garota certa. Ele ia todos os dias à casa de Stephanie, observava de longe, mas ela nunca aparecia. Talvez nem soubesse da presença dele ali. Quando Octavia vai ao local e critica o seu comportamento, Cameron percebe que desperdiçou seu tempo correndo atrás de Stephanhie e passa a olhar a ex-namorada de seu irmão de um jeito diferente.

# Opinião

Eu vou começar dizendo que a obra superou minhas expectativas. Antes mesmo de saber que o livro fazia parte de uma trilogia, cheguei a subestimá-lo. Achei que não valeria a pena. Pensava que ele era apenas mais um romance clichê destinado ao público jovem. Meu preconceito cresceu pelo fato de ser um autor reconhecido por um livro de grande sucesso: A Menina Que Roubava Livros. O receio que eu tinha era por pensar que o talento de Zusak era puro marketing. Mas, ele me provou o contrário.

Notei que a escrita do autor evoluiu bastante neste último livro, se comparado ao primeiro. A trilogia Irmãos Wolfe poderia ser resumida da seguinte forma: no primeiro livro, O Azarão, vem à tona as dificuldades da adolescência e o foco está na busca da identidade; no segundo livro, Bom de Briga, a trama ganha um toque de ação e os personagens começam a tomar um rumo na vida; já em A garota que eu quero, o romance ganha espaço e as relações familiares se fortalecem.

Nos dois primeiros livros, o riso saiu com mais facilidade. Isso não significa que o terceiro livro tenha perdido o humor. Acontece que Zusak optou por fisgar o leitor através da emoção neste último livro. Cameron é tomado por uma forte crise existencial. Apesar de haver sempre uma ironia na fala do personagem, percebemos que ele guarda muitas angústias dentro dele e o autor mostrou isso de forma tocante.

Como de costume, os capítulos terminam com um diferencial. Cameron solta a imaginação e joga no papel uma série de reflexões que, para mim, foram o ponto alto da história. Acho que eu compraria um livro só com os pensamentos dele. Gostei também do modo como ele trata a Octavia, sempre com muito respeito. Desde o primeiro livro, ele já demonstrava que tinha um grande coração.

Agora falando a respeito da capa do livro, acho que ela não transmite o universo da história. As capas dos livros anteriores não são magníficas, mas seria interessante se tivessem mantido o estilo em toda a trilogia. A mudança é compreensível, uma vez que os dois primeiros livros foram publicados por outra editora, a Bertrand Brasil.

# Extra

Vocês podem conferir também as resenhas de O Azarão (aqui) e de Bom de Briga (aqui). Adorei a trilogia e pretendo ler outras obras de Markus Zusak. Recomendo!