quarta-feira, 30 de março de 2016

#EXTRAORDINÁRIO: "Shingaling"


Título: Shingaling

Autor(a): R. J. Palacio

Ano de lançamento: 2015

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 136



Shingaling é mais uma obra de R. J. Palacio, autora de Extraordinário. O livro conta a história de Charlotte, uma das garotas que faz parte da “comissão de boas-vindas” a Auggie. A partir de uma narrativa em primeira pessoa, como nos livros anteriores, conhecemos o ponto de vista de uma criança sensível e muito gentil.

domingo, 27 de março de 2016

TEATRO, CIRCO, SUSPIROS E BOLHAS DE SABÃO

Olá, mergulhadores!

No dia 27 de março é comemorado o Dia Mundial do Teatro e o Dia Nacional do Circo. Por isso, o post de hoje é especial. Confiram!

Foto: Eder Luiz
No mês do teatro e do circo, o Espetáculo Espaço Artístico comemora um ano de atividades no bairro Alto de São Manoel, em Mossoró/RN, com o projeto "Tem Arte no Alto". A ideia é fruto de uma parceria entre as companhias de teatro Pão Doce e A Máscara.

Um dos organizadores do evento, Romero Oliveira, falou sobre as novidades do projeto. "Este ano, nós expandimos um pouco essa programação. No ano passado, nós fizemos uma semana, apenas com espetáculos das companhias [Pão Doce e A Máscara]. Este ano, nós fizemos duas semanas, com espetáculos das companhias e de grupos convidados de outros estados", explicou.

A foto acima é do espetáculo "Suspiros e Burbujas", da Companhia Laguz Circo, uma das convidadas do evento. Romina Sanchez (Palhaça Burbuja) vem da Patagônia Argentina e Felipe Abreu (Palhaço Suspiro), do Ceará. Brasil e Argentina podem até ser rivais no futebol, mas na arte essa dupla se dá muito bem, obrigado.

O espetáculo "Suspiros e Burbujas" tem a proposta de trazer as pessoas para o universo dos dois palhaços. "É um convite ao público brincar junto com a gente e acompanhar o espetáculo com malabares, acrobacia, tudo isso dentro do universo da comicidade do palhaço", esclareceu Felipe.

"A gente se conheceu no Rio de Janeiro", disse Romina. "Eu terminei minha formação na Escola de Rosário, Argentina, e viajei para o Rio para aprimorar as técnicas de trapézio fixo. O Felipe estava estudando em outra escola, que é a Escola Livre de Palhaços. E quando a gente se conheceu, vimos que tínhamos muita afinidade nos nossos trabalhos", concluiu.

Viajando pelo mundo com o fusca Olivério (ver foto), o casal chegou a Mossoró/RN pela primeira vez com muitas expectativas. "A gente conheceu os meninos da Cia. Pão Doce e da Cia. A Máscara de Teatro, que nos acolheu muito bem. E eu tenho certeza de que o público de Mossoró também tem essa mesma energia", vibrou Felipe. 

O Espetáculo Espaço Artístico abriu as portas para a comunidade com uma programação que tem teatro, música, cinema, poesia e oficinas. Tem arte no alto, sim senhor! Diversão garantida para todas as idades. #Partiu.




quarta-feira, 23 de março de 2016

Fumê

Por trás do vidro fumê
A vida existe
E acontece
E passa
Borboletas brincam
Movimentam-se eufóricas
Dançando em forma de oito
Celebrando pequenos infinitos
Por trás do vidro fumê
Passam pares de pernas
Olhos brilhantes
Risadas sem sons...
Rostos desconhecidos
Procuram por janelas
Espelhos improvisados
E do outro lado
Na solidão da espera
Alguém só observa
A vida existindo lá fora
E acontecendo
E passando
Por trás do vidro fumê

domingo, 20 de março de 2016

UMA PAIXÃO QUE VAI LONGE

E aí, mergulhadores!

Hoje eu venho mostrar a vocês a história do ex-jogador de futebol, Diassis, que mora em Mossoró, Rio Grande do Norte. Acompanhem!

Foto: Ygo Maia


São mais ou menos 15 minutos da casa de Diassis até o Malvinão, campo de terra situado nas Malvinas, no bairro Nova Vida, em Mossoró/RN. Ele se desloca na própria cadeira de rodas motorizada, que passou por adaptações para que o percurso pudesse ser feito com mais facilidade. O sobrinho dele, Pedro Henrique, 14, vai acompanhando, para o caso de algum imprevisto. “Antes, os pneus eram tudo duros, aí não prestava pra andar no calçamento, aí eu coloquei inflável. Se caso furar, tem que ter alguém acompanhando, né”, explica.

Sempre que possível, ele vai assistir aos treinos da Associação Desportiva do Bairro IPE (ADBE). Assim, pode rever os amigos, sentir de perto a emoção que só o futebol proporciona e também observar o trabalho do treinador Toinho, por quem sente uma grande admiração. “Ele [Toinho] é pouco reconhecido. É pouca gente que chega ali e dá um apoio, mas é um excelente trabalho que ele fazendo com essa criançada”, elogia.

Diassis também faz questão de destacar a importância do projeto para a região das Malvinas. Na opinião dele, o ADBE abre portas para os jovens e ajuda na formação de cidadãos. “Você sabe, esse bairro é conhecido pela violência, então com esse trabalho de Toinho, a criança e o adolescente só fogem daquele foco se quiserem mesmo”, comenta.

Mesmo depois do acidente, os olhos do ex-zagueiro continuam brilhando quando ele fala sobre futebol. Diassis não se deixa abater por causa de suas limitações. É por isso que, na sua cadeira de rodas, ele ganha as ruas para manter vivo o amor pelo futebol e pelo ADBE, porque, no fim das contas, ele é um homem apaixonado pela vida.

SONHO INTERROMPIDO

Foto: Ygo Maia


“De repente, você ali, depois se vê sem seus movimentos. No começo foi difícil, porque sua vida muda, . Mas foi só nos primeiros dias mesmo. Depois, entreguei nas mãos de Deus”. O relato é de Francisco de Assis da Silva, 29, um amante do futebol, nascido em Almino Afonso e criado em Mossoró, onde vive até hoje. Filho mais novo de um total de seis irmãos.

O que deveria ter sido um dia comum de lazer acabou marcando para sempre a vida de Diassis. No dia 13 de setembro de 2009, ele estava em Quixeré/CE, região do Vale do Jaguaribe. Era um domingo, dia sagrado para o futebol, mas, quis o destino que, naquele dia, Diassis trocasse os campos por um tanque de água doce. E foi o que ele fez. “Eu subi na parede do tanque e fui pular pra cair em pé, mas escorreguei e caí de cabeça. Tive uma fratura na C3* e perdi os movimentos das pernas”, conta.

O acidente interrompeu o sonho de virar jogador profissional. Um desejo que surgiu na infância, aos 9 anos, quando ainda jogava na terra e no calçamento, antes de ir para o ADBE, um projeto do treinador Toinho, que há quase três décadas ajuda na formação de atletas e cidadãos através do futebol.

Diassis explica que foi para o ADBE por conta própria com alguns amigos do bairro e que recebeu o apoio da família. “Foi uma experiência boa. Toinho tem esse projeto há muitos anos e tem esse intuito de tirar os jovens da rua e dar uma assistência, porque o adolescente parado, ele pensa muita besteira”, comenta.

Aos 14 anos, Diassis teve uma temporada difícil, pois se envolveu com drogas. “Naquela época, era cola de sapateiro mesmo”, admite. Foi quando o pai dele procurou Toinho, buscando uma nova chance para o filho na escolinha. E ele soube aproveitar o voto de confiança. Largou as drogas e passou a se dedicar ao futebol, firmando-se como zagueiro.

Em pouco tempo, o Baraúnas demonstrou interesse por Diassis, que agarrou mais essa oportunidade. “Você jogar e treinar em grama, num campo grande, é totalmente diferente. Foi uma experiência boa. O técnico na época era o Miranda. Eu aprendi muito ali”, ele diz, relembrando sua passagem pelo clube, especialmente o título estadual de 2006.

Segundo ele, foram duas temporadas muito produtivas, mas teve que largar a bola e tomar outro rumo. Então, ele foi com um cunhado para São Paulo, onde trabalhou durante um ano com montagem de gasoduto.

Nove dias depois de voltar do Sudeste, sofreu o acidente que o deixou na cadeira de rodas. A condição atual dele, no entanto, não é um obstáculo capaz de separá-lo de sua grande paixão: o futebol.


* "A coluna vertebral é composta por 33 vértebras: sete cervicais (C1, C2, C3, C4, C5, C6, C7), doze torácicas que vão de T1 até T12, cinco lombares (L1, L2, L3, L4, L5), cinco sacrais soldadas formando o osso sacro e quatro coccígeas, que se fundem formando o cóccix. As vértebras são unidas por vários ligamentos e entre uma e outra existe um disco cartilaginoso semelhante a um anel cuja função é reduzir o impacto." SAIBA MAIS.




domingo, 13 de março de 2016

Harry Potter e a Câmara Secreta

Mergulhadores, belezinha?

Hoje, estou aqui para mostrar o que eu achei do segundo livro da saga Harry Potter. Optei pelo mesmo modelo da primeira postagem, que funcionou direitinho. Quem perdeu, basta clicar aqui e mergulhar fundo. 

Título: Harry Potter e a Câmara Secreta

Autor(a): J. K. Rowling

Ano de lançamento: 2000

Editora: Rocco

Nº de páginas: 252


Barriga: O início do livro trouxe aquela velha barriga, ou seja, uma série de acontecimentos sem muita importância. Harry estava de férias, depois voltou para Hogwarts e, nisso, a história demorou a emplacar. Bem mais para frente é que as coisas começaram a ficar interessantes.

Escanteio: O Quadribol, o lance dos pontos e outros detalhes importantes presentes no livro anterior foram deixados de lado. Não é bem uma crítica, mas uma observação. Acredito que a primeira obra foi uma introdução e que agora as aventuras começaram de verdade, não sendo necessárias tantas explicações sobre um jogo ou o funcionamento de um campeonato.

Hora da revisão: Achei positivo o fato de a narrativa relembrar alguns fatos do primeiro livro. Isso é muito útil, principalmente se a pessoa der um tempo entre uma leitura e outra.

Lockhart: Não arrumei palavra melhor para descrever o personagem a não ser esta: FANFARRÃO. Ele acha que sabe de tudo, como se fosse o Google do mundo bruxo. Fica contando vantagens e se gabando sempre que tem uma brecha. Será que ele é parente da Hermione? Fica aqui a reflexão.

Aquele 1%: Ficou no ar por um tempo a suspeita de que Harry poderia ser o herdeiro de Sonserina. Eu adoraria ser surpreendido com isso. O Chapéu Seletor bem que tentou, não é mesmo? É que eu sempre sou do contra, gente.

Sobe: Hermione subiu um degrau no meu conceito nesse segundo livro, pois ela me pareceu menos metida. A parte em que ela se transforma em gato acidentalmente foi uma das mais divertidas. A situação me fez rir e eu até pensei: “Bem feito. Seja humilde!”.

Dobby: O elfo doméstico é um personagem sofrido e cativante que aparece na vida de Harry como se fosse um anjo da guarda. Senti pena por ele ser um escravo de Lúcio Malfoy. Tão maltratado, coitado!

Murta Que Geme: Uma das personagens mais intrigantes até agora. O comportamento dela é, no mínimo, peculiar. Apesar de achá-la meio retardada em alguns momentos, acho que ela ainda pode render mais.

Animais: Aranhas gigantes e cobra que mata só com o olhar. Estas foram as criaturas que mais chamaram minha atenção. Poderiam existir apenas para compor o enredo, mas possuem grande importância na obra.

Final: Movimentado. O último conflito do livro teve muito ritmo e a leitura engrenou. Tudo corria bem, até que... QUATROCENTOS pontos para a Grifinória. Como assim? Novamente, isso não me desceu.


domingo, 6 de março de 2016

[Mergulhei Fundo] - Meninos, eu conto

Título: Meninos, eu conto


Autor: Antônio Torres


Editora: Record


Ano: 1999


Nº de páginas: 80



Meninos, eu conto reúne três histórias: Segundo Nego de Roseno; Por um pé de feijão e O dia de São Nunca. Os contos são ambientados em um lugar esquecido, simples, rural. O autor Antônio Torres deixou sua marca em cada história, pois ele mesmo se parece com aqueles meninos que brincam com caminhõezinhos de madeira.

Antônio nasceu em um pequeno povoado chamado Junco, interior da Bahia, que hoje é a cidade de Sátiro Dias. Ele diz que os tempos mudaram, mas que compartilha os sonhos, sentimentos e conflitos dos meninos que retrata em sua obra, porque ainda se sente como um deles.

“Ia comprar um pão de água e sal ou mesmo um pão de milho. Agora podia comprar o que quisesse, porque as três notas que o padre lhe dera compravam muitas coisas. Mas ia devagar. Lá na roça seu pai o aguardava com uma enxada”.

Segundo Nero de Roseno narra a aventura de um garoto que saiu para comprar pão e gastou o dinheiro com outra coisa (leiam para descobrir com o que foi). A forma como o autor conta essa história faz a gente se enxergar naquele menino. O conto traz a inocência da criança que pega um pouquinho de dinheiro e já acha que pode comprar tudo. Quem nunca?

A ingenuidade também se faz presente quando ele tenta arrumar uma desculpa para justificar a demora, sem imaginar que o pai dele descobriria a verdade logo de cara. Esse conto explora características bem marcantes do interior, como os hábitos simples e o fato de todo mundo se conhecer. Aquela gente passa por muitas dificuldades, mas são solidárias umas com as outras e possuem uma relação de companheirismo (que está em falta nos dias de hoje, não é mesmo?).

“Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?”.
Ilustração de miolo: Noguchi
Por um pé de feijão é um conto bem curtinho que mostra um drama bastante comum na vida de quem trabalha com plantações: a possibilidade de ver o trabalho de muito tempo ir para as nuvens, de um dia para o outro, por causa de algum desastre natural. Na história, todos estavam empolgados com a quantidade de feijão que tinham conseguido. Alguns até apostavam quantos sacos daria para encher. O que ninguém podia prever era que todo o feijão seria consumido pelo fogo. 

A mensagem que o conto traz é que, mesmo com todos os problemas, precisamos ter esperança de que novas oportunidades irão surgir. Temos que esquecer o que passou e focar nas próximas colheitas. Precisamos parar de chorar pelo “feijão queimado”. Sejamos otimistas!

“Ele balançou os dedos no ar, como sua mãe fazia, ao terminar a reza. Era esse gesto que espantava o mal. A reza tirava o mal do corpo para os galhos da arruda, e a batida dos dedos sacolejados no espaço derrubava-o por terra, para debaixo do chão”.

O dia de São Nunca é o maior e mais profundo conto do livro. Ele apresenta a história de um menino esperto, que tem um pai é um alcoólatra e uma mãe rezadeira que trabalha na roça. Na solidão de sua casa, o garoto começou a conversar com uma lagartixa e chamava-a de “irmãzinha”. Certo dia, ele abre a porta para três desconhecidos e fica encantado com a presença deles. O mais interessante desse conto é a fé que o menino tem na reza da mãe dele. Só lendo mesmo para vocês entenderem como é tocante.

Para finalizar, gostaria de dizer que eu curti muito a escrita do autor. Os textos trazem o olhar das crianças e isso é o que faz a diferença na obra. A pureza delas até faz a gente esquecer por alguns instantes como a situação em que elas se encontram é difícil. Anotem a dica, pois é um livro no qual vale a pena mergulhar fundo.