quarta-feira, 29 de outubro de 2014

[Mergulhei Fundo] - A vida que ninguém vê

Título: A vida que ninguém vê


Autor(a): Eliane Brum


Editora: Arquipélago Editorial


Ano: 2006


Nº de páginas: 208


“Porque uma frase só existe quando é a extensão em letras da alma de quem a diz. É a soma das palavras e da tragédia que contém. Se não for assim, é só uma falsidade de vogais e de consoantes, um desperdício de som e de espaço”. (p. 36)

No ano de 1999, Eliane Brum publicou suas crônicas-reportagens na coluna “A vida que ninguém vê”, no jornal Zero Hora. Com o sucesso, seus textos acabaram virando essa obra maravilhosa que tive o prazer de ler. A repórter, ávida por narrativas que não ganham destaque nos jornais, fez um mergulho no interior de pessoas anônimas e contou suas histórias.

Aparentemente, aquelas pessoas não tinham nada de extraordinário para dizer. Seus relatos não ganhariam sequer uma nota no canto da página do jornal, mas, tratando-se de Eliane Brum, a vida mais corriqueira pode se transformar em uma reportagem capaz de amolecer até o mais duro dos corações. 

“Sim, porque sonhos não se encontram nas prateleiras, não basta atirar o cartão de crédito no balcão e sair com um debaixo do braço. Sonhos são touros xucros”. (p. 132)

As crônicas que eu mais gostei, foram: Adail quer voar, que traz a história de um homem que trabalha como carregador de malas em um aeroporto, mas nunca voou; e Sinal fechado para Camila, com o relato emocionante sobre uma pedinte que fazia pequenos versos para pedir uns trocados.

“Uma vida só faz sentido para quem a viveu. Para todos os demais é um quebra-cabeça onde nada encaixa”. (p. 161)

A leitura foi bem rápida. As crônicas são curtas e a autora escreve de um jeito tão perfeito, que nem percebi que tinha acabado de ler. Sabe aquele livro que faz a gente olhar o mundo de uma forma diferente? A vida que ninguém vê é assim. Por isso, falo sem medo: todo mundo precisa ler esse livro.

Então, quem já leu? O que acharam? Deixem comentários. Até a próxima! 



domingo, 26 de outubro de 2014

Moradores ou prisioneiros?

Foto: Michelly Maia
Por: Michelly Maia e Ygo Prudêncio 

Exausto, o sol vai terminando o seu passeio pelo céu, após um longo dia de trabalho. Ele caminha por cima dos casarões e declina lentamente, procurando o aconchego do Rio Jaguaribe. Aos poucos, os riscos alaranjados se unem ao azul celeste, compondo a ciranda do fim da tarde.

Os bons ventos anunciam a chegada da noite. Eu vejo duas senhoras: uma aparenta ter uns 60 anos de experiência em sentar na calçada; já a outra, ainda mais experiente, parece ter atingido essa marca há pelo menos duas décadas.

Elas se sentam devagar, quase sincronizadas, nas suas cadeiras de balanço. E é nesse embalo que começam a conversar. Na outra direção, eu avisto mais duas senhoras repetindo o ritual. Agora são duas duplas que não percebem a presença uma da outra, por causa da característica peculiar da rua. Ah, esta rua torta!

    
Foto: Ygo Prudêncio
Da minha posição privilegiada, posso ver também duas mulheres sentadas no banco da Praça da Independência do Brasil. Elas têm a mesma idade: 56 anos. Franci e Eridan, as duas Marias. Gesticulam, riem, relembram as aventuras do passado. O brilho nos olhos demonstra um sentimento de nostalgia. Ah, que papo gostoso! Até sinto vontade de me juntar a elas. Aquele “dedinho de prosa” se destaca na rua.

Hoje, os vizinhos se tratam como estranhos. Ora andam de cabeça baixa, ora com a cabeça nas nuvens. Conversas ao pé do ouvido viraram artigos de luxo. Perderam o hábito de olhar nos olhos. Se veem, mas não se enxergam. Franci comenta:

— Eu me lembro de que nós éramos muito mais vizinhos. A população se falava mais. Com a tecnologia, as pessoas se falam muito pelo computador, mas a conversa face a face ficou comprometida – a outra concorda, com um tímido aceno de cabeça.

Agora, as Marias se levantam e caminham um pouco, tentando reviver as travessuras da infância, quando escalavam o monumento histórico que fica no meio da praça. Será que vão tentar subir de novo? Elas riem e desistem, voltando ao banco em que estavam. Não se sentem mais tão livres como antes. 

    
Foto: Ygo Prudêncio
É irônico ver que a rua tinha apenas uma cadeia e que agora tem centenas. Vejo poucos moradores na rua. Em compensação, vejo casas que viraram celas. Pessoas que vigiam pelas janelas, como ratos nas gavetas.

A liberdade dos moradores se restringe ao tempo em que ficam nas calçadas. Parecem presos que ganham o direito de visitar a família nas festas de fim de ano e depois voltam para a cadeia. 

Lá no início da rua, outra “rodinha de conversa” se desfaz. Vão todos se entregar às algemas da TV e da internet. “Voltem! Ainda é cedo. Fiquem mais um pouco!”. Ninguém me ouviu. Já se renderam.

É melhor eu ir embora também. A rua está deserta. Daqui do alto do casarão, não vejo mais as crianças correndo, nem os casais apaixonados sendo engolidos pelo beco do museu. Vou bater minhas asas e me juntar às outras corujas. Boa noite!



domingo, 19 de outubro de 2014

#Resenha: "Morte no Litoral"

Título: Morte no Litoral

Autor(a): Nádia São Paulo

Ano de lançamento: 2009

Editora: Novo Século

Nº de páginas: 192



# A história

O livro conta a história de Olívia, uma garota solitária que vinha de uma família desestruturada. Depois de boatos na escola, os pais dela, que já não a tratavam bem, passaram a rejeitá-la ainda mais. Com apenas treze anos de idade, ela fugiu de casa e passou cerca de um ano morando na rua.

Foi naquelas condições que conheceu Madalena, uma mulher misteriosa que lhe ofereceu ajuda e um futuro promissor, em troca de “alguns favores”, que seriam revelados quando fosse preciso. Olívia hesitou no primeiro momento, uma vez que, na rua, acostumou-se a desconfiar de tudo e de todos. Porém, como não tinha mais nada a perder, aceitou a proposta.

Madalena percebeu o potencial de Olívia e a importância da mesma na execução de seus planos. Por isso, resolveu investir na nova “afilhada”. Olívia cresceu, aprendeu vários idiomas, formou-se em engenharia civil e logo conseguiu emprego em uma das maiores construtoras do país. Àquela altura, ela já sabia o quanto Madalena poderia ser perigosa. Após tantos anos, era hora de pagar a dívida, nem que fosse por meio de derramamento de sangue.

# Opinião

Alimentei expectativas antes da leitura. A capa preta me induziu a esperar uma trama sombria, com mistério e sangue. O primeiro capítulo cumpriu esse papel. A autora começou a história no auge da adrenalina, com uma cena bem dramática. No segundo capítulo, há uma volta ao passado e a protagonista é apresentada, com ênfase em todos os seus traumas.

Senti dificuldade para visualizar determinadas cenas. Inicialmente, achei os diálogos muito superficiais, por causa da formalidade. O distanciamento entre as conversas no livro e a nossa forma de falar no cotidiano, acabou engessando os personagens. Algumas vezes, até pareciam robôs.

Com o desenvolvimento da trama, essa má impressão perdeu força e eu me acostumei com a escrita da autora. Porém, outro ponto passou a me incomodar: a barriga que se instalou na história. A rotina de Madalena e de sua afilhada, Olívia, se desgastou. Aquele ritmo eletrizante do primeiro capítulo se perdeu no decorrer das páginas. Achei que demorou muito a acontecer algo que me fisgasse de novo.

Felizmente, uma reviravolta salvou o livro. A retomada ao presente trouxe o gás necessário. Vieram à tona assassinatos, segredos e disputas pelo poder. Surgiu também a figura do inspetor Xavier, com as características clássicas do bom investigador dos romances policiais. A leitura ficou ótima com o ápice dos mistérios. A cada página, algo intrigante acontecia e eu ansiava por mais.

Os conflitos que se desenrolaram apenas na segunda metade do livro, poderiam ter tido um espaço maior, com os desdobramentos explorados mais detalhadamente. O final da obra me agradou, pois conseguiu me surpreender. Achei o desfecho inusitado e inteligente. Apesar dos pontos negativos que mencionei, é um livro que eu recomendo.

# Extra

A autora Nádia São Paulo é parceira do blog. Para saber mais, clique aqui. Obrigado! 



domingo, 5 de outubro de 2014

Top 7 - Blogs literários

Olá, mergulhadores! Tudo bem com vocês?

O post de hoje é uma lista com alguns blogs que eu visito sempre que posso. Vamos mergulhar? Espero que gostem!




1 – Fantastic Books (aqui)











O Fantastic Books é um blog que eu curto bastante. Toda vez que eu navego por lá, fico horas lendo e comentando as postagens. O visual dele é bem agradável aos olhos e as novidades nunca param. Sempre tem algo novo para nós, leitores ávidos. A Cath’s administra o blog e nos recebe super bem. Além de livros, há espaço para dicas de filmes, com a coluna Cine FB. Passem lá!

2 – Vício em Páginas (aqui)



Acompanho o Vício em Páginas há um bom tempo. Adoro ler as resenhas que são postadas lá. Quem curte animes/mangás também pode anotar várias dicas, pois ele tem uma coluna especial, capaz de deixar qualquer fã enlouquecido. A Arine-san, administradora do blog, já publicou um livro chamado O Poder Visor. Vocês também podem conferir a entrevista que fiz com ela, clicando aqui. 

3 – Just Books (aqui)










Uma das coisas que eu mais gosto no Just Books é do seu visual limpo, que faz a gente se sentir em casa. A Naty cuida muito bem do blog e, além de ser a simpatia em pessoa, escreve ótimas resenhas. Quando eu passo por lá, vou clicando nos links que aparecem e fico viajando nas postagens. Também adoro quando ela posta textos com gifs e fala sobre livros através de listas. Recomendo!

4 – Meu Jardim de Livros (aqui)









O Meu Jardim de Livros é um blog administrado pela Sora, que tem um texto afiado e gostoso de ler. Outro ponto interessante são as fotografias dos livros acompanhados por gatos, bichos de pelúcia e miniaturas diversas da estante da blogueira. Eu me identifico com as postagens, pois, os gêneros que me agradam, têm seu espaço garantido. Fãs de Stephen King, por exemplo, podem se esbaldar nesse jardim.

5 – Monólogo de Julieta (aqui)










A Paloma é quem comanda o Monólogo de Julieta, blog que eu acompanho desde quando ele se chamava Jornalismo na Alma. O que há de melhor são as resenhas de livros e as entrevistas com autores. Essa dica também é especial, principalmente, para o público feminino, uma vez que o blog é parceiro de algumas empresas de cosméticos. Portanto, mulheres, não deixem de conferir. 

 No Mundo dos Livros (aqui)










Resumindo o No Mundo dos Livros em uma palavra: excelente. A Livy, dona do blog, posta resenhas muito caprichadas, tanto de livros, quanto de filmes. Já cheguei a anotar dicas para comprar livros, por causa da confiança que deposito nas críticas da blogueira. Os gêneros são bem variados, por isso, abrangem um grande número de leitores. Além do mais, a página é linda e está sempre atualizada. 

– Capa & Título (aqui)








O Capa & Título vem fechando esta lista com chave de ouro. Comandado pelo Marcos, o blog apresenta um visual simples (que eu aprovo) e conteúdos ricos. Também acho as críticas dele bem confiáveis. Outra coisa que me agrada são as diferentes formas que ele utiliza para fazer as postagens, não ignorando o formato tradicional e trazendo ainda as resenhas faladas, que são ótimas. 


É isso, pessoal. Até a próxima!