quarta-feira, 25 de novembro de 2015

#Resenha: "Recomeço"

Título: Recomeço

Autor(a): Cat Patrick

Ano de lançamento: 2014

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 304



# A história

Daisy faz parte de um programa do governo chamado Recomeço, que é um composto ultrassecreto que traz os mortos de volta à vida. Tudo começou depois que ela sofreu um acidente de ônibus que a matou, bem como a outras crianças que também passaram a serem cobaias do experimento.

A impressão que Daisy tem é de que sua vida é uma grande mentira. Agora com 15 anos, ela já morreu outras quatro vezes. A cada morte, ela ganha um sobrenome novo e precisa mudar de cidade. Essa inconstância acaba afetando os relacionamentos dela, pois ela sabe que a qualquer momento terá que recomeçar uma nova vida em outro lugar.

Depois de morrer novamente, Daisy Appleby viva Daisy West ao chegar à cidade de Omaha. Desta vez, ela está disposta a criar laços mais sólidos com as pessoas. É assim que ela conhece seus primeiros amigos de verdade, os irmãos Matt e Audrey.

No meio daquela tentativa de criar raízes em Omaha, Daisy descobre segredos do Recomeço que a fazem pensar que não passa de uma marionete nas mãos de pessoas ambiciosas, com planos bem maiores do que ela poderia imaginar.

# Opinião

Primeiramente, quero falar sobre a capa do livro, que transmite a essência do enredo. A ilustração nos dá as sensações de queda, insegurança e vulnerabilidade. Essa é a saga da protagonista. A posição vertical demonstra a fragilidade da vida de Daisy, pois de uma hora para outra ela pode despencar.

Morrer e ter a possibilidade de recomeçar uma vida do zero pode parecer muito atrativo – o que não deixa de ser, até a página dois. A questão central é que o ser humano tem uma necessidade de sentir que pertence a algum lugar. Isso se torna um fardo para Daisy, pois ela sabe que as constantes mudanças fazem parte do programa, então evita ao máximo construir um alicerce firme. Vem sempre aquela sensação de culpa por saber que alguém está sofrendo pela “morte” dela, enquanto que, na verdade, ela está recomeçando sua trajetória longe dali.

As coisas só mudam quando ela conhece Matt e Audrey. Pela primeira vez, Daisy começa a sentir que tem uma vida normal e resolve se entregar de corpo e alma. Ela passa a analisar melhor os convites que recebe para ir a festas, cinema e outros eventos sociais, como qualquer adolescente comum.

No entanto, esse novo comportamento que ela adota acaba tendo consequências. Ao se apegar demais, Daisy percebe como é difícil ligar com a quebra de uma relação que foi se construindo aos poucos, na base do companheirismo, do afeto e da cumplicidade. A experiência que devia ser uma libertação torna-se o grande drama da nova vida dela.

Um ponto interessante que vale destacar é a amizade entre Daisy e Megan, outra garota que também faz parte do Recomeço. As duas conversam bastante por meio de mensagens e juntas administram um blog sobre assuntos diversos. A autora construiu personagens que realmente aparentam ter 15 anos, pois elas falam e se comportam como pessoas dessa idade.

No geral, o saldo do mergulho foi positivo. A única coisa que me desagradou foi quando o livro estava quase terminando e ainda parecia ter muita história para ser contada. Os últimos acontecimentos foram atropelados, narrados às pressas, o que acabou comprometendo o impacto do desfecho.

Para encerrar, separei um tópico que diz respeito ao apelido do homem que comanda o programa Recomeço: Deus. Pelas interferências que ele faz na vida das pessoas, não poderia ter um apelido melhor. Se vocês quiserem descobrir quais são os planos de Deus, leiam esse livro. 


domingo, 22 de novembro de 2015

Entrevista com Wilson Mello (Parte I)

Olá, mergulhadores!
Hoje eu venho mostrar a vocês a primeira parte (serão três) da entrevista com o nosso autor parceiro, Wilson Mello. Confiram!

Nome completo – Wilson Melo Cunha

Data de nascimento – 15/08/69

Naturalidade – Monte Carmelo/MG

Grau de formação – Nível superior

Profissão – Escritor


Mergulhando Na Leitura: Wilson, primeiro eu gostaria que fizesse uma rápida apresentação falando sobre você mesmo. Quem é Wilson Mello?
Wilson Mello: Alguém que sente uma grande necessidade de escrever, contar suas histórias. E um grande apreciador de arte de um modo geral.

MNL: Qual foi o momento em que você se deu conta de que levava jeito para escrever?
WM: Já na adolescência. Meu primeiro livro tinha 500 páginas. Na ocasião, eu tinha 15 anos e já queria ser escritor.

MNL: De onde você tira inspiração para desenvolver suas histórias?
WM: Elas surgem naturalmente. A qualquer momento e lugar.

MNL: Quando surge uma ideia para escrever um livro, qual é a primeira coisa que você faz? Explique como é esse processo de criação.
WM: A ideia sempre aparece do final da história. Se eu gostar, eu a escrevo. Meus livros são elaborados de trás para frente, uma vez que eu vejo sempre o final e parto dele para começar a escrever. Então, já determino o tamanho do livro e quando irei terminá-lo de escrever.

MNL: Com qual gênero literário você mais se identifica? Por quê?
WM: Eu gosto mais de ficção. A realidade todos nós já a conhecemos bem. Através da ficção o autor pode ir fundo em qualquer história, uma vez que o importante é deixar a imaginação fluir.

MNL: Você tem preferência por livros únicos ou séries?
WM: Gosto de ambos. O importante é uma boa história.

MNL: Qual foi a sensação de ver a sua primeira obra publicada?
WM: Muita emoção. E isso acontece ainda até hoje. É um filho, no final das contas.

MNL: Aqui no Brasil, quais são as maiores dificuldades para um escritor conseguir espaço no mundo literário?
WM: As grandes editoras não se arriscam e têm seus motivos para isso, em publicar novos autores. É caro publicar no Brasil. E o que elas querem é apenas lucro. Afinal, trata-se de um negócio.

MNL: Como você vê o papel dos blogs literários na divulgação da literatura nacional?
WM: Importantíssimo. Nós, autores, não somos nada sem a ajuda de nossos leitores e amigos blogueiros.

Em breve, vou postar a continuação da entrevista. Sabiam que o autor já bateu vários recordes no mundo literário? Ele vai falar sobre isso na segunda parte. Fiquem ligados! 


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

[Mergulhei Fundo] - Uma Duas

Título: Uma Duas


Autor(a): Eliane Brum


Editora: Leya


Ano: 2011


Nº de páginas: 176



“E ela sente que nunca mais o grito cessará, que aquele grito é para sempre, é um grito para toda a vida e para além da vida. Porque agora ela alcança a inteireza do horror. E gritos são coisas que não viram palavras, palavras que não podem ser ditas. Não há como escapar da carne da mãe. O útero é para sempre.”

Uma Duas é uma obra sobre relação entre mãe e filha. O pai? Deixou o lar. Bem, isso poderia ter aproximado as duas, mas não foi assim que as coisas se desenrolaram. O que aconteceu mesmo foi que elas passaram a vida inteira se maltratando e se comportando como estranhas debaixo do mesmo teto.

O passatempo preferido de Maria Lúcia era infernizar a vida da filha, a jornalista Laura. No fundo, elas não podiam ficar nem um dia longe uma da outra. A necessidade que tinham de se odiar era uma forma de demonstrar que se amavam, apesar de tudo.

Um sério problema de saúde afeta essa convivência de maneira assustadora. Diante da possibilidade de perder a mãe, Laura se dá conta de que se importa e de que gosta dela muito mais do que poderia imaginar. 

“Como sempre, esquece onde está enquanto escreve. A escrita é um lugar que ela pode habitar. É reconfortante escrever sobre a vida dos outros. Esta é a melhor parte de ser jornalista. Poder escrever sobre uma realidade que não precisa virar ficção para ser pronunciada.”

As personagens criadas por Eliane Brum conseguiram me dividir durante todo o livro. Em um momento, eu gostava delas, me sensibilizava com a dor da mãe e da filha, mas logo depois eu me irritava com certas atitudes e queria abandonar a leitura.

Maria Lúcia é uma mulher extremamente amarga, ranzinza, que reclama de tudo. Laura tem um problema sério de identidade. Às vezes, ela se comporta como uma criança de 6 anos, querendo chamar a atenção das pessoas, principalmente da mãe. O que as duas têm em comum são os traumas que carregam.    

“Teria preferido que Laura fosse vendedora de qualquer coisa a jornalista. Nunca achei decente esse negócio de escrever, pior ainda sobre a vida alheia, como ela fazia até pouco tempo. E agora estou aqui, escrevendo numa cama como se disso dependesse a minha vida.”

Como as personagens têm mentes perturbadas, a narrativa se torna um pouco estranha. Entretanto, é assim também que o leitor consegue se sentir íntimo delas e pode compreender aquela dor que as afeta de forma tão profunda. 

Foi uma leitura complexa, mas que valeu a pena. Podem anotar a dica. 



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

#Resenha: "Os 13 porquês"

Título: Os 13 porquês

Autor: Jay Asher

Ano de lançamento: 2009

Editora: Ática

Nº de páginas: 255


# A história

O jovem Clay Jensen tem uma grande surpresa ao voltar da escola. Na porta de casa, ele encontra um misterioso pacote com o seu nome. Era uma caixa de sapatos com várias fitas cassetes dentro.

Clay achou tudo aquilo muito estranho, mas começou a ouvir o conteúdo das fitas, tendo, assim, mais um choque: a voz que aparecia nas gravações era de Hannah Baker, a colega de classe de quem ele gostava e que havia cometido suicídio duas semanas antes.

Mas, por que ela gravou aquelas fitas? Ouvindo as gravações, Clay toma conhecimento dos 13 motivos que levaram Hannah à decisão de acabar com a própria vida. O garoto se desespera ao descobrir que é um desses motivos e, o pior de tudo, é que ele não pode fazer nada para mudar o que aconteceu.

Agora, o que está ao alcance de Clay é terminar de ouvir as fitas e passá-las adiante para o próximo da lista. Depois disso, restará apenas o peso da culpa.

# Opinião

Haja coração para terminar esse mergulho! Há vários adjetivos que eu poderia usar para descrever um pouco do que é esse livro: angustiante, intenso, perturbador, intrigante, triste, polêmico, envolvente, dentre outros. Fiquei até sem fôlego!

Os 13 porquês aborda temas sérios como depressão, abuso sexual, drogas, suicídio e, principalmente, bullying. O autor foi feliz ao incluir tudo isso em uma narrativa com forte apelo de suspense. Como o próprio título mostra, são 13 motivos que levaram ao suicídio da personagem Hannah.

Durante boa parte do livro, fica essa pulga atrás da orelha do leitor, pois a “missão” é justamente descobrir todas essas razões. A tensão vai crescendo a cada página e bate também aquela aflição por sabermos que não há nada capaz de mudar o trágico acontecimento que desencadeia toda a trama.

Outro ponto positivo é que a narrativa não se concentra apenas nos relatos de Hannah. O leitor pode acompanhar ao mesmo tempo as reações do protagonista Clay. Desta forma, há sempre uma perspectiva diferente de um mesmo fato, o que também tornou a leitura mais dinâmica.

Em alguns momentos, você pode pensar que os motivos apresentados no livro são superficiais e até se pergunte: “Por que alguém se mataria por isso?”. Porém, a própria Hannah explica que as pequenas coisas se transformaram em uma enorme bola de neve.

No final, a mensagem que fica é que ninguém sabe totalmente o que se passa na cabeça de outra pessoa. O importante é não julgar, nem virar as costas quando alguém está precisando de ajuda. Por fim, anotem a dica e não deixem de ler Os 13 porquês.

# Extra

Recentemente, eu fiz um TOP 13 com trechos do livro. Confiram aqui.


domingo, 8 de novembro de 2015

#Especial: A Próxima Vítima - 20 anos (Final)

Saudações!

Hoje eu venho mostrar a segunda e última parte deste especial de aniversário de 20 anos da novela A Próxima Vítima. Se você perdeu o outro post, basta clicar aqui e mergulhar de cabeça na leitura.


Temas abordados

É evidente que o fio condutor da novela era a série de assassinatos. Porém, algumas temáticas interessantes também foram abordadas no folhetim, levantando discussões na sociedade da época.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

#Especial: A Próxima Vítima - 20 anos (Parte I)

Olá!

Tem algum mergulhador noveleiro acompanhando este post? Pois bem. Hoje eu trago a primeira parte deste especial dedicado àqueles que não resistem a um bom folhetim. Confiram!


Há exatos 20 anos, ia ao ar na tela da Globo a reprise do último capítulo de uma novela das oito que fez um enorme sucesso durante o seu período de exibição e que é considerada por muitos uma das melhores telenovelas de todos os tempos. Estou falando de A Próxima Vítima.