quarta-feira, 18 de novembro de 2015

[Mergulhei Fundo] - Uma Duas

Título: Uma Duas


Autor(a): Eliane Brum


Editora: Leya


Ano: 2011


Nº de páginas: 176



“E ela sente que nunca mais o grito cessará, que aquele grito é para sempre, é um grito para toda a vida e para além da vida. Porque agora ela alcança a inteireza do horror. E gritos são coisas que não viram palavras, palavras que não podem ser ditas. Não há como escapar da carne da mãe. O útero é para sempre.”

Uma Duas é uma obra sobre relação entre mãe e filha. O pai? Deixou o lar. Bem, isso poderia ter aproximado as duas, mas não foi assim que as coisas se desenrolaram. O que aconteceu mesmo foi que elas passaram a vida inteira se maltratando e se comportando como estranhas debaixo do mesmo teto.

O passatempo preferido de Maria Lúcia era infernizar a vida da filha, a jornalista Laura. No fundo, elas não podiam ficar nem um dia longe uma da outra. A necessidade que tinham de se odiar era uma forma de demonstrar que se amavam, apesar de tudo.

Um sério problema de saúde afeta essa convivência de maneira assustadora. Diante da possibilidade de perder a mãe, Laura se dá conta de que se importa e de que gosta dela muito mais do que poderia imaginar. 

“Como sempre, esquece onde está enquanto escreve. A escrita é um lugar que ela pode habitar. É reconfortante escrever sobre a vida dos outros. Esta é a melhor parte de ser jornalista. Poder escrever sobre uma realidade que não precisa virar ficção para ser pronunciada.”

As personagens criadas por Eliane Brum conseguiram me dividir durante todo o livro. Em um momento, eu gostava delas, me sensibilizava com a dor da mãe e da filha, mas logo depois eu me irritava com certas atitudes e queria abandonar a leitura.

Maria Lúcia é uma mulher extremamente amarga, ranzinza, que reclama de tudo. Laura tem um problema sério de identidade. Às vezes, ela se comporta como uma criança de 6 anos, querendo chamar a atenção das pessoas, principalmente da mãe. O que as duas têm em comum são os traumas que carregam.    

“Teria preferido que Laura fosse vendedora de qualquer coisa a jornalista. Nunca achei decente esse negócio de escrever, pior ainda sobre a vida alheia, como ela fazia até pouco tempo. E agora estou aqui, escrevendo numa cama como se disso dependesse a minha vida.”

Como as personagens têm mentes perturbadas, a narrativa se torna um pouco estranha. Entretanto, é assim também que o leitor consegue se sentir íntimo delas e pode compreender aquela dor que as afeta de forma tão profunda. 

Foi uma leitura complexa, mas que valeu a pena. Podem anotar a dica. 



4 comentários:

  1. Olá,
    Esses livros envolvendo dores profundas e todo tipo de sofrimento mexem muito comigo, na verdade eu até evito ler porque nunca saio bem desse tipo de leitura.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Olá, Inês.
      A história é realmente triste. Mexe mesmo com a gente.
      Beijos!

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  2. Oi Ygo!
    Parece ser um livro cuja história fica com a gente mesmo depois que acaba... Como a Inês comentou, eu também evito esse tipo de leitura, porque depois fico sofrendo por dias. Então não sei se eu leria.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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    1. Olá, Sora.
      Sim, o livro é bastante intenso. Fiquei remoendo a história por um tempo. Ainda assim, recomendo a obra. Eliane Brum tem um texto maravilhoso.

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