quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A Aventura do Pudim de Natal - Final

Olá, mergulhadores!

Quem tiver perdido a primeira parte do especial natalino com Agatha Christie, não se desespere. Basta clicar aqui para conferir o que rolou nos primeiros contos de A Aventura do Pudim de Natal. Agora, acompanhem a segunda e última parte da obra. Espero que gostem. 



4 – O Caso das Amoras Pretas

O detetive Hercule Poirot jantava com seu amigo Henry Bonnington em um restaurante. A garçonete era uma jovem simpática, que sabia o nome das pessoas que visitavam o lugar e o que gostavam de comer. Foi por meio dela que Poirot tomou conhecimento da existência de um sujeito que ia ao restaurante as terças e quintas, e sempre fazia o mesmo pedido, exceto uma vez, quando pediu amoras pretas (as quais ele detestava). O detetive achou a história curiosa e quis conhecer aquele homem. Sua intuição estava certa. Por trás da quebra daquela rotina, havia uma pessoa capaz de tudo por dinheiro.

É incrível como a autora consegue criar uma história cheia de suspense a partir de uma coisa tão simples. E o melhor: o faz em pouco mais de dez páginas. Esse conto é um exemplo concreto do dito “onde há fumaça...”. Poirot mostrou novamente a sua capacidade de observação para desvendar um crime. Parecia sentir o cheiro de sangue no ar. Um mestre!

5 – O Sonho

Após receber uma carta, o detetive Hercule Poirot foi até a casa do Sr. Benedict Farley, um homem muito esquisito. Chegando lá, foi surpreendido por um pedido inusitado: dar a sua opinião a respeito de um sonho. Segundo o Sr. Farley, todas as noites ele sonhava que estava em sua sala, pegava um revólver na gaveta da escrivaninha, dirigia-se à janela e atirava em si mesmo. Poirot não soube o que dizer, pois nunca tinha sido chamado para interpretar sonhos. O Sr. Farley ficou irritado e mandou o detetive ir embora. Dias depois, o sujeito apareceu morto, exatamente como no seu sonho, e Poirot foi chamado outra vez para desvendar o caso.

Agatha Christie adora matar os velhos rabugentos, mas o interessante é que nunca deixa de ser original. Levantei hipóteses mirabolantes para a solução do mistério, imaginando que a autora quebraria as “regras” dos romances policiais, quando, na verdade, ela seguiu o estilo dela e deixou as pistas no início do conto, em um diálogo que não parecia ser importante.

6 – A Extravagância de Greenshaw

Horace Bindler e Raymond West são amigos e estão passando por um lugar onde fica uma casa enorme, construída no século XIX, conhecida como a “Extravagância de Greenshaw”. Depois de apreciarem o sinistro casarão, Horace e Raymond tiveram a oportunidade de conhecer a atual moradora, a senhorita Greenshaw, que viria a ser assassinada com uma flecha na jugular, dias mais tarde. A sagaz Miss Marple, tia de Raymond, se encarregou de revelar a identidade do assassino.

Esse é o único conto do livro com a Miss Marple, que é tão esperta quanto o detetive Poirot. Achei o início meio difícil de entender, mas logo entrei no clima do enredo. Também não descobri quem era o culpado, mas desconfiei do método utilizado pelo mesmo, que me lembrou de outro livro da “Rainha do Crime”.



domingo, 21 de dezembro de 2014

A Aventura do Pudim de Natal - Parte 1

Olá, mergulhadores!

Hoje eu venho postar a primeira de duas partes do especial de Natal com Agatha Christie. O livro A Aventura do Pudim de Natal tem seis contos da “Rainha do Crime”. Neste post, vou falar sobre três deles. Os outros três ficarão para a segunda parte, okay?! Vamos lá!



1 – A Aventura do Pudim de Natal

O detetive Hercule Poirot é solicitado para investigar o caso do desaparecimento de um rubi. A joia pertencia a um príncipe, que tinha a intenção de abafar o escândalo. Dias antes do Natal, Poirot chega a uma casa de campo na Inglaterra para passar as festas de fim de ano. As crianças resolvem preparar um “trote de Natal” para o convidado, simulando a cena de um crime. Poirot já estava intrigado por causa de um bilhete anônimo, que o alertava para não comer o pudim de passas que seria servido na ceia. Ele então se aproveitou da ingenuidade das crianças e usou a brincadeira como um mecanismo para solucionar o caso do rubi desaparecido.

A trama é bem simples, mas Agatha Christie conseguiu transformá-la em um mistério gostoso de ler. A história consiste, basicamente, em personagens querendo pregar peças uns nos outros. As crianças tentam enganar Poirot, que revida e acaba enganando também os leitores. Um Natal divertidíssimo!

2 – O Mistério do Baú Espanhol

Saiu uma matéria no jornal com a seguinte manchete: MISTÉRIO DO BAÚ ESPANHOL. ÚLTIMOS DETALHES. Hercule Poirot logo se interessou pelo caso, que se tratava do assassinato de Arnold Clayton. Seis pessoas estavam em uma festa, à noite, numa sala com um grande baú espanhol encostado na parede. No dia seguinte, o mordomo encontrou o tapete manchado de sangue e foi observar de onde vinha aquele líquido vermelho, constatando que saía de dentro do baú. Em pouco tempo, o caso estava nas mãos de Poirot, a pedido da viúva Margharita Clayton, que solicitou o trabalho do detetive para descobrir quem havia assassinado o seu marido.

Esse é um modelo tradicional das histórias de Agatha Christie. O mistério é bem maior do que o do primeiro conto. Mas, como se trata de uma história curta, tudo é mais objetivo, embora o enredo pudesse render um livro maravilhoso. A autora lançou todas as pistas, no entanto, só consegui captar algumas partes soltas.

3 – O Reprimido

Quando o Sr. Reuben Astwell é assassinado em sua casa, o detetive Hercule Poirot entra em ação para solucionar o crime. Embora a polícia já tivesse prendido o jovem Charles Leverson, sobrinho da vítima e um dos principais suspeitos, a perspicácia de Poirot dizia que aquele não parecia ser o fim do mistério. Com o seu jeito peculiar de investigar e de analisar o comportamento humano, o detetive descobre que muitas pessoas que rodeavam Reuben Astwell tinham interesse em vê-lo morto.

O conto começa com o depoimento de uma das testemunhas e, aos poucos, o leitor vai se situando sobre o crime ocorrido. Como sempre, a lista de suspeitos vai crescendo a cada página. O ponto forte foram os personagens explosivos, intensos. Como quase todos eles são parentes, a tensão se tornava ainda maior. Agatha Christie desenvolveu os conflitos familiares com maestria.

CONTINUA...



domingo, 7 de dezembro de 2014

#Resenha: "O Mistério da Casa na Praia"

Título: O Mistério da Casa na Praia

Autor(a): Nádia São Paulo

Ano de lançamento: 2011

Editora: Novo Século

Nº de páginas: 222


# A história

Elizabete, dona de casa sensível e com um lado artístico; Eduardo, engenheiro civil competente e respeitado; e Ana Julia, a filha adolescente do casal, estavam acostumados com uma vida “nômade”. Como Eduardo vivia sendo transferido de uma cidade para outra, por conta do trabalho, a família nunca se fixava em um lugar por muito tempo.

Em mais uma entre tantas mudanças, eles chegaram a Guarapari, um belo balneário situado no estado do Espírito Santo. Os três estavam empolgados com o novo lar. Quem seriam seus novos amigos? O que o futuro lhes reservava? Quanto tempo eles passariam ali até se mudarem mais uma vez? Essas eram perguntas frequentes na ocasião.

O encanto começou a se quebrar no dia em que Elizabete viu uma menina toda machucada rondando a casa. Ela falou sobre a visão que teve, mas quase ninguém acreditou nela. Com o passar dos dias, as aparições se tornaram mais frequentes e Elizabete procurou desvendar esse mistério. Quem seria aquela garota? O que ela queria? Será que o relacionamento da família estaria em risco?

# Opinião

O principal problema que encontrei neste livro foi o fato de ele não ter tanto mistério quanto eu achei que teria. A capa é maravilhosa, tem um clima de filme de terror e o enredo é intrigante. No entanto, senti dificuldade para mergulhar na proposta do livro e a leitura acabou ficando monótona.  

Outro ponto negativo foram os personagens irreais. Elizabete, Eduardo e Ana Julia formam uma família irritantemente perfeita dos comerciais de margarina. Existiram alguns conflitos entre eles, mas nada que me fizesse mudar de opinião e vê-los como uma família normal. Até porque eram discussões infantis que se resolviam logo na página seguinte.

Entre esses três, eu gostei mais da Ana Julia. Como dizia no próprio livro, ela parecia ser mais velha do que os pais. Enquanto que eu não consegui sentir empatia por Elizabete. Eu não a imaginei como uma mulher amedrontada com aparições de fantasmas, nem como uma guerreira querendo proteger sua família. Apesar do esforço, só visualizei a imagem de uma dondoca chata e fútil.

O mistério envolvendo a casa na praia, que deveria ser o centro da história, foi abocanhado por questões secundárias, como o romance bobinho entre Ana Julia e Leonardo (filho dos caseiros), que preencheu boa parte do livro. Além disso, as coisas demoraram a chegar ao clímax e, quando chegaram, resolveram-se rapidamente em poucas páginas.

O final conseguiu ser imprevisível. A autora soube conduzir os fatos por uma direção, para depois mudar o rumo e levar o seu leitor para o lado oposto. Eu, particularmente, não esperava aquele desfecho. Deixei escapar alguns detalhes e fui surpreendido.

A escrita da autora tem um frescor. Apesar da temática, ela narra de um jeito leve. Nádia São Paulo tem um grande potencial. Considero que ela se saiu melhor com a trama investigativa de “Morte no Litoral”, já resenhado aqui no blog, do que com o suspense sobrenatural.

Leitura recomendada aos amantes do gênero e àqueles que procuram uma história para se distrair sem compromisso. Até a próxima!



domingo, 30 de novembro de 2014

[Mergulhei Fundo] - Limão Rosa

Título: Limão Rosa


Autor(a): Flora Figueiredo


Editora: Novo Século


Ano: 2009


Nº de páginas: 72


“Se houver receita que atenue o machucado,
quem sabe um dia ainda se veja restaurado
este pobre coração de esparadrapo”. (Curativo)

Cada poeta – e demais escritores, em geral – desenvolve um estilo próprio. Ele transforma sentimentos em palavras, na medida do possível, obviamente. O fato é que cada um se expressa de um jeito único. E o jeitinho Flora Figueiredo de fazer poesia, me fascinou.

Já li poesias de todos os tipos, creio eu. Das mais sofridas e melancólicas, às mais alegres e extravagantes. Em Limão Rosa, pude perceber uma poetisa que usa as rimas como brinquedos, jogando-as no papel, natural e profundamente, conseguindo ser objetiva ao transmiti-las, sem rodeios. Frases curtas e imediatas, porém, vivas e, muitas vezes, desconcertantes.

“Quero também a bula detalhada
para não usar a sensação de forma errada,
caso isso seja um novo amor, mais uma vez”. (Corpo estranho)

Várias poesias não passam de versinhos de três ou quatro linhas. É pouco? Ora, poesia é isso! Sua grandeza não está no tamanho da estrofe, mas no olhar de quem a escreve. Com relação a isso, Flora foi bastante feliz. Ela observou o mundo ao seu redor, captou o que havia de mais belo, transformou em arte e compartilhou. Sou grato!

A leitura foi extremamente rápida. Se o livro tivesse 400 páginas, eu também teria lido tudo de uma só vez. Eu não conhecia a autora, mas agora pretendo acompanhar outros trabalhos dela. Quem gosta de poesia, vá fundo! Anote a dica.
  
“O que não ousei, diluiu-se na água estagnada.
O que não protestei, anulou-se na bandeira abandonada.
O que não amei, desfez-se sem adeus, não deixou nada”. (Lacunas)

Alguém já leu esse livro? O que vocês acharam? Recomendem livros de poesias nos comentários. Abraços!



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

#Resenha: "Um Porto Seguro"

Título: Um Porto Seguro

Autor: Nicholas Sparks

Ano de lançamento: 2012

Editora: Novo Conceito

Nº de páginas: 414


# A história

Katie é uma jovem misteriosa que apareceu na pequena cidade de Southport, na Carolina do Norte. Com o pouco dinheiro que tinha, alugou uma cabana simples para recomeçar a vida do zero. Conseguiu um emprego de garçonete no restaurante local chamado Ivan’s e, aos poucos, foi se adaptando às escolhas que havia feito.

Ela conheceu Jo, sua nova vizinha, que rapidamente já se considerava a sua amiga de infância, dando conselhos e se convidando para tomar vinho, sem fazer cerimônia. Apesar de Katie querer manter a discrição, sua beleza não a deixava passar despercebida. Logo, o viúvo Alex, pai de dois filhos pequenos, se viu apaixonado pela nova moradora de Southport.

O sentimento era recíproco. Porém, Katie não conseguia se entregar. O passado ainda a amedrontava e ela não sabia como se livrar dele. Naquelas circunstâncias, talvez o seu porto seguro fosse viver esse amor intensamente.   

# Opinião

Faz tempo que eu tenho esse livro, mas adiei ao máximo a leitura. A impressão negativa que ficou depois da última obra que li do autor (Um Homem de Sorte), contribuiu para que eu deixasse Um Porto Seguro alguns meses no final da fila. Somado a isso, o número de páginas me fez pensar que a decepção poderia ser maior. Dei prioridade aos livros policiais – basta dar uma olhada nas resenhas anteriores para notar isso – e, só agora, senti a necessidade de encarar um mergulho romântico. Nicholas Sparks foi a minha sábia escolha.

Serei franco. A sinopse não é a mais inovadora do mundo. A proposta passa longe de querer reinventar a roda. Pelo contrário. O estilo é aquele mesmo já conhecido do autor. O que tornou a história interessante foi o jeito de contá-la. A escrita de Sparks é envolvente e vai fundo nos detalhes. O texto nos transporta para dentro do livro, tamanha é a verdade contida nas palavras.

Katie, a protagonista, apesar de parecer frágil, mostrou-se uma mulher forte e corajosa, que soube dar a volta por cima. Gosto de personagens assim, porque me dão motivos para torcer por eles. E Katie me deu vários. Outra personagem interessante é Jo. Durante boa parte do livro, eu tinha em mente que iria detoná-la nesta resenha. Além de forçar a barra para ser a best friend de Katie, ela ficava dando palpites na vida dela o tempo todo. Porém, no final, desconstruí toda essa ideia e passei a admirá-la muito e a compreender suas atitudes.

Também gostei muito do personagem Alex. Ele tem uma relação linda com os filhos e faz um esforço admirável para dar a eles o melhor da vida. Quando Katie e ele se apaixonaram, tiveram que enfrentar as mais diversas dificuldades para ficarem juntos. Foi neste momento que surgiu o vilão Kevin, um cara medonho e cínico, que buscava, na Bíblia, justificativas plausíveis para suas atrocidades. Através dele, o livro trouxe à tona uma discussão muito séria e atual (sem spoiler).

O final é bem agitado, cheio de ação. O que resta ao leitor é ficar na torcida, com o coração acelerado. Quando a tensão acaba, as últimas páginas ainda trazem uma revelação de cair o queixo. Para mim, foi uma surpresa e tanto. Mergulho recomendado!



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

#Resenha: "Se arrependimento matasse"

Título: Se arrependimento matasse

Autor: Alma Cervantes

Ano de lançamento: 2013

Editora: Novo Século

Nº de páginas: 248


# A história

Depois de alguns anos sem se verem, Alex, Alice (um garoto) e Rebeca decidem se reencontrar para matar a saudade e colocar o papo em dia. Os pais de Alex são proprietários de um hotel e, para os três amigos, não havia lugar melhor para uma ocasião tão especial.

Charles e Vera, donos do hotel, se organizavam para receber um convidado que poderia ser a solução para os problemas financeiros os quais enfrentavam. Prepararam uma única mesa de jantar para acomodar os poucos hóspedes e o investidor que chegaria naquela noite.

Por alguma razão, o homem não apareceu, mas o jantar seguiu tranquilamente. Em seguida, Alex e seus amigos resolveram jogar pôquer com alguns hóspedes para passar o tempo. Finalizado o jogo, todos seguiram para seus respectivos quartos e foram surpreendidos por uma queda de energia.

Quando a luz retornou, um dos empregados alarmou por causa de uma tragédia: o cozinheiro foi assassinado. A tempestade lá fora os impedia de fugir. Além disso, os carros haviam sido sabotados. O assassino poderia estar entre os hóspedes e o clima de suspeita aumentava a cada instante.

# Opinião

Alma Cervantes é fã de Agatha Christie. A influência desse gosto é facilmente percebida em sua obra, que apresenta algumas semelhanças com relação às características dos personagens, a ambientação da trama e o próprio estilo de contar a história. Como eu também faço parte do clube que estende um tapete vermelho para a “Rainha do Crime”, a leitura foi bastante confortável.

O assassinato que desencadeia todos os acontecimentos do livro foi uma jogada corajosa, a meu ver. O autor optou pelo mistério acerca da morte de um cozinheiro que estava distante do foco da narrativa. Isso causou um alvoroço positivo e serviu para apimentar a sinopse e instigar os leitores. Funcionou muito comigo.

Os elementos-chave para manter o suspense em alta estavam na personalidade forte dos personagens e nas descrições minuciosas, enfatizando toda a tensão proposta no livro. Fiquei enfeitiçado com a escrita do autor, que demonstrou segurança do começo ao fim. Sem dúvida, um dos destaques da obra.

Desta vez, não tentei adivinhar como a história acabaria. Não fiz a lista de suspeitos, nem levantei hipóteses, pois queria ser surpreendido. O final é coerente e, acima de tudo, chocante. A única coisa que me incomodou foi a monotonia na hora da revelação. Acho que a explicação poderia ter sido mais dinâmica.

Leiam esse livro e vocês não vão se arrepender. Alma Cervantes não ficou devendo em nada para os nomes consagrados do gênero policial. Mostrou-se uma ótima opção para aqueles que curtem mergulhar em um bom mistério. Fica a dica!

# Extra

Alma Cervantes é nosso parceiro. Para saber mais detalhes, basta clicar aqui. Obrigado!



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

[Mergulhei Fundo] - A vida que ninguém vê

Título: A vida que ninguém vê


Autor(a): Eliane Brum


Editora: Arquipélago Editorial


Ano: 2006


Nº de páginas: 208


“Porque uma frase só existe quando é a extensão em letras da alma de quem a diz. É a soma das palavras e da tragédia que contém. Se não for assim, é só uma falsidade de vogais e de consoantes, um desperdício de som e de espaço”. (p. 36)

No ano de 1999, Eliane Brum publicou suas crônicas-reportagens na coluna “A vida que ninguém vê”, no jornal Zero Hora. Com o sucesso, seus textos acabaram virando essa obra maravilhosa que tive o prazer de ler. A repórter, ávida por narrativas que não ganham destaque nos jornais, fez um mergulho no interior de pessoas anônimas e contou suas histórias.

Aparentemente, aquelas pessoas não tinham nada de extraordinário para dizer. Seus relatos não ganhariam sequer uma nota no canto da página do jornal, mas, tratando-se de Eliane Brum, a vida mais corriqueira pode se transformar em uma reportagem capaz de amolecer até o mais duro dos corações. 

“Sim, porque sonhos não se encontram nas prateleiras, não basta atirar o cartão de crédito no balcão e sair com um debaixo do braço. Sonhos são touros xucros”. (p. 132)

As crônicas que eu mais gostei, foram: Adail quer voar, que traz a história de um homem que trabalha como carregador de malas em um aeroporto, mas nunca voou; e Sinal fechado para Camila, com o relato emocionante sobre uma pedinte que fazia pequenos versos para pedir uns trocados.

“Uma vida só faz sentido para quem a viveu. Para todos os demais é um quebra-cabeça onde nada encaixa”. (p. 161)

A leitura foi bem rápida. As crônicas são curtas e a autora escreve de um jeito tão perfeito, que nem percebi que tinha acabado de ler. Sabe aquele livro que faz a gente olhar o mundo de uma forma diferente? A vida que ninguém vê é assim. Por isso, falo sem medo: todo mundo precisa ler esse livro.

Então, quem já leu? O que acharam? Deixem comentários. Até a próxima! 



domingo, 26 de outubro de 2014

Moradores ou prisioneiros?

Foto: Michelly Maia
Por: Michelly Maia e Ygo Prudêncio 

Exausto, o sol vai terminando o seu passeio pelo céu, após um longo dia de trabalho. Ele caminha por cima dos casarões e declina lentamente, procurando o aconchego do Rio Jaguaribe. Aos poucos, os riscos alaranjados se unem ao azul celeste, compondo a ciranda do fim da tarde.

Os bons ventos anunciam a chegada da noite. Eu vejo duas senhoras: uma aparenta ter uns 60 anos de experiência em sentar na calçada; já a outra, ainda mais experiente, parece ter atingido essa marca há pelo menos duas décadas.

Elas se sentam devagar, quase sincronizadas, nas suas cadeiras de balanço. E é nesse embalo que começam a conversar. Na outra direção, eu avisto mais duas senhoras repetindo o ritual. Agora são duas duplas que não percebem a presença uma da outra, por causa da característica peculiar da rua. Ah, esta rua torta!

    
Foto: Ygo Prudêncio
Da minha posição privilegiada, posso ver também duas mulheres sentadas no banco da Praça da Independência do Brasil. Elas têm a mesma idade: 56 anos. Franci e Eridan, as duas Marias. Gesticulam, riem, relembram as aventuras do passado. O brilho nos olhos demonstra um sentimento de nostalgia. Ah, que papo gostoso! Até sinto vontade de me juntar a elas. Aquele “dedinho de prosa” se destaca na rua.

Hoje, os vizinhos se tratam como estranhos. Ora andam de cabeça baixa, ora com a cabeça nas nuvens. Conversas ao pé do ouvido viraram artigos de luxo. Perderam o hábito de olhar nos olhos. Se veem, mas não se enxergam. Franci comenta:

— Eu me lembro de que nós éramos muito mais vizinhos. A população se falava mais. Com a tecnologia, as pessoas se falam muito pelo computador, mas a conversa face a face ficou comprometida – a outra concorda, com um tímido aceno de cabeça.

Agora, as Marias se levantam e caminham um pouco, tentando reviver as travessuras da infância, quando escalavam o monumento histórico que fica no meio da praça. Será que vão tentar subir de novo? Elas riem e desistem, voltando ao banco em que estavam. Não se sentem mais tão livres como antes. 

    
Foto: Ygo Prudêncio
É irônico ver que a rua tinha apenas uma cadeia e que agora tem centenas. Vejo poucos moradores na rua. Em compensação, vejo casas que viraram celas. Pessoas que vigiam pelas janelas, como ratos nas gavetas.

A liberdade dos moradores se restringe ao tempo em que ficam nas calçadas. Parecem presos que ganham o direito de visitar a família nas festas de fim de ano e depois voltam para a cadeia. 

Lá no início da rua, outra “rodinha de conversa” se desfaz. Vão todos se entregar às algemas da TV e da internet. “Voltem! Ainda é cedo. Fiquem mais um pouco!”. Ninguém me ouviu. Já se renderam.

É melhor eu ir embora também. A rua está deserta. Daqui do alto do casarão, não vejo mais as crianças correndo, nem os casais apaixonados sendo engolidos pelo beco do museu. Vou bater minhas asas e me juntar às outras corujas. Boa noite!



domingo, 19 de outubro de 2014

#Resenha: "Morte no Litoral"

Título: Morte no Litoral

Autor(a): Nádia São Paulo

Ano de lançamento: 2009

Editora: Novo Século

Nº de páginas: 192



# A história

O livro conta a história de Olívia, uma garota solitária que vinha de uma família desestruturada. Depois de boatos na escola, os pais dela, que já não a tratavam bem, passaram a rejeitá-la ainda mais. Com apenas treze anos de idade, ela fugiu de casa e passou cerca de um ano morando na rua.

Foi naquelas condições que conheceu Madalena, uma mulher misteriosa que lhe ofereceu ajuda e um futuro promissor, em troca de “alguns favores”, que seriam revelados quando fosse preciso. Olívia hesitou no primeiro momento, uma vez que, na rua, acostumou-se a desconfiar de tudo e de todos. Porém, como não tinha mais nada a perder, aceitou a proposta.

Madalena percebeu o potencial de Olívia e a importância da mesma na execução de seus planos. Por isso, resolveu investir na nova “afilhada”. Olívia cresceu, aprendeu vários idiomas, formou-se em engenharia civil e logo conseguiu emprego em uma das maiores construtoras do país. Àquela altura, ela já sabia o quanto Madalena poderia ser perigosa. Após tantos anos, era hora de pagar a dívida, nem que fosse por meio de derramamento de sangue.

# Opinião

Alimentei expectativas antes da leitura. A capa preta me induziu a esperar uma trama sombria, com mistério e sangue. O primeiro capítulo cumpriu esse papel. A autora começou a história no auge da adrenalina, com uma cena bem dramática. No segundo capítulo, há uma volta ao passado e a protagonista é apresentada, com ênfase em todos os seus traumas.

Senti dificuldade para visualizar determinadas cenas. Inicialmente, achei os diálogos muito superficiais, por causa da formalidade. O distanciamento entre as conversas no livro e a nossa forma de falar no cotidiano, acabou engessando os personagens. Algumas vezes, até pareciam robôs.

Com o desenvolvimento da trama, essa má impressão perdeu força e eu me acostumei com a escrita da autora. Porém, outro ponto passou a me incomodar: a barriga que se instalou na história. A rotina de Madalena e de sua afilhada, Olívia, se desgastou. Aquele ritmo eletrizante do primeiro capítulo se perdeu no decorrer das páginas. Achei que demorou muito a acontecer algo que me fisgasse de novo.

Felizmente, uma reviravolta salvou o livro. A retomada ao presente trouxe o gás necessário. Vieram à tona assassinatos, segredos e disputas pelo poder. Surgiu também a figura do inspetor Xavier, com as características clássicas do bom investigador dos romances policiais. A leitura ficou ótima com o ápice dos mistérios. A cada página, algo intrigante acontecia e eu ansiava por mais.

Os conflitos que se desenrolaram apenas na segunda metade do livro, poderiam ter tido um espaço maior, com os desdobramentos explorados mais detalhadamente. O final da obra me agradou, pois conseguiu me surpreender. Achei o desfecho inusitado e inteligente. Apesar dos pontos negativos que mencionei, é um livro que eu recomendo.

# Extra

A autora Nádia São Paulo é parceira do blog. Para saber mais, clique aqui. Obrigado! 



domingo, 5 de outubro de 2014

Top 7 - Blogs literários

Olá, mergulhadores! Tudo bem com vocês?

O post de hoje é uma lista com alguns blogs que eu visito sempre que posso. Vamos mergulhar? Espero que gostem!




1 – Fantastic Books (aqui)











O Fantastic Books é um blog que eu curto bastante. Toda vez que eu navego por lá, fico horas lendo e comentando as postagens. O visual dele é bem agradável aos olhos e as novidades nunca param. Sempre tem algo novo para nós, leitores ávidos. A Cath’s administra o blog e nos recebe super bem. Além de livros, há espaço para dicas de filmes, com a coluna Cine FB. Passem lá!

2 – Vício em Páginas (aqui)



Acompanho o Vício em Páginas há um bom tempo. Adoro ler as resenhas que são postadas lá. Quem curte animes/mangás também pode anotar várias dicas, pois ele tem uma coluna especial, capaz de deixar qualquer fã enlouquecido. A Arine-san, administradora do blog, já publicou um livro chamado O Poder Visor. Vocês também podem conferir a entrevista que fiz com ela, clicando aqui. 

3 – Just Books (aqui)










Uma das coisas que eu mais gosto no Just Books é do seu visual limpo, que faz a gente se sentir em casa. A Naty cuida muito bem do blog e, além de ser a simpatia em pessoa, escreve ótimas resenhas. Quando eu passo por lá, vou clicando nos links que aparecem e fico viajando nas postagens. Também adoro quando ela posta textos com gifs e fala sobre livros através de listas. Recomendo!

4 – Meu Jardim de Livros (aqui)









O Meu Jardim de Livros é um blog administrado pela Sora, que tem um texto afiado e gostoso de ler. Outro ponto interessante são as fotografias dos livros acompanhados por gatos, bichos de pelúcia e miniaturas diversas da estante da blogueira. Eu me identifico com as postagens, pois, os gêneros que me agradam, têm seu espaço garantido. Fãs de Stephen King, por exemplo, podem se esbaldar nesse jardim.

5 – Monólogo de Julieta (aqui)










A Paloma é quem comanda o Monólogo de Julieta, blog que eu acompanho desde quando ele se chamava Jornalismo na Alma. O que há de melhor são as resenhas de livros e as entrevistas com autores. Essa dica também é especial, principalmente, para o público feminino, uma vez que o blog é parceiro de algumas empresas de cosméticos. Portanto, mulheres, não deixem de conferir. 

 No Mundo dos Livros (aqui)










Resumindo o No Mundo dos Livros em uma palavra: excelente. A Livy, dona do blog, posta resenhas muito caprichadas, tanto de livros, quanto de filmes. Já cheguei a anotar dicas para comprar livros, por causa da confiança que deposito nas críticas da blogueira. Os gêneros são bem variados, por isso, abrangem um grande número de leitores. Além do mais, a página é linda e está sempre atualizada. 

– Capa & Título (aqui)








O Capa & Título vem fechando esta lista com chave de ouro. Comandado pelo Marcos, o blog apresenta um visual simples (que eu aprovo) e conteúdos ricos. Também acho as críticas dele bem confiáveis. Outra coisa que me agrada são as diferentes formas que ele utiliza para fazer as postagens, não ignorando o formato tradicional e trazendo ainda as resenhas faladas, que são ótimas. 


É isso, pessoal. Até a próxima!