domingo, 27 de dezembro de 2015

Papel, caneta e eu


Escrevo todos os dias. Sou fã de papel e caneta. Guardo vários bloquinhos de notas dentro de caixas de sapato. Pode parecer perda de tempo, já que depois eu acabo digitando tudo. É um trabalho duplo, mas é assim que eu funciono. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

[Mergulhei Fundo] - A caixinha mágica

Título: A caixinha mágica


Autor(a): Luiza Trigo


Editora: Rocco Digital


Ano: 2013


Nº de páginas: 23



“A máquina de escrever do meu pai – a única coisa que eu tinha dele –, uma fotografia dos meus pais juntos: mamãe com um barrigão enorme e ele com cara de bobo. Eu não cheguei a conhecê-lo. Faleceu antes de eu nascer, mas mamãe sempre me contou muitas histórias sobre ele. Hoje, eu me lembro de poucas, mas guardo na memória com muito carinho. Segurei o porta-retratos com força. Agora eu não tinha nenhum dos dois.”

Priscila mora em um orfanato onde vivem mais de duzentas crianças. Certo dia, uma amiga da mãe dela, a quem ela chama de Tia Rita, guardou todos os pertences que ela achava importante e foi deixar lá. Em meio àquelas lembranças, a menina encontra uma caixinha desconhecida que a deixa intrigada. “Era pesada e fria, muito bonita”, ela descreve.

Quando arrastou o trinco para o lado, a caixinha se abriu revelando uma fadinha, que girava ao som de uma música familiar aos ouvidos de Pri. E não era só isso. No fundo da caixa ainda havia um bilhete velho e dobrado, que dizia: “Aos doze você terá uma surpresa”. Mesmo sem saber o significado, Priscila ficou com aquilo na cabeça.

“Lembrei-me da caixa e sorri. Ela foi o melhor presente de todos os tempos. Fiquei radiante ao recebê-la. Não que a dor tivesse passado, mas aquela descoberta funcionou como um antídoto à tristeza e mudou completamente o meu comportamento. E eu sequer desconfiava que aquele bilhete não havia sido escrito pela mamãe.”

Priscila tem uma paixonite por um garoto chamado Jonas, que também vive no orfanato. Ele era meio briguento, arrumava muita confusão, mas com o tempo foi se fechando no mundo dele e passava a maior parte do dia lendo na biblioteca. Os livros eram seus melhores amigos. Era uma paixão igual à de Pri pela música. 

O desejo de Priscila naquele Natal era um só: ter uma conversa com Jonas. O que ela nunca poderia imaginar era que contaria com a ajuda de uma fada madrinha capaz de tornar aquele desejo uma realidade.

“Eu queria muito conversar com Jonas, mas aquele pedido me parecia tão sem importância perto dos pedidos de muitas crianças do orfanato. Eu não estava me sentindo bem fazendo esse pedido, mas ao mesmo tempo tinha esperado o ano inteiro só para isso.”

Se eu falar mais do que isso, vou acabar estragando a surpresa do conto. Ele é bem curtinho, mas traz uma mensagem bonita: por menor que seja o seu gesto, se você faz o bem a alguém, lá na frente você acaba sendo recompensado de alguma forma.

Desejo a todos um Feliz Natal!



domingo, 20 de dezembro de 2015

Entrevista com Wilson Mello (Final)

Olá!
Hoje é dia de conferir a última parte da entrevista com o autor Wilson Mello. Para ver a segunda parte, clique aqui.






Mergulhando Na Leitura: No livro “Conta Comigo”, você trata de um tema forte: a AIDS. Qual a mensagem que você quis transmitir com esse romance?
Wilson Mello: Eu não tive a intenção de passar nenhuma mensagem. Não escrevo com esse objetivo. Eu apenas conto uma história.

MNL: No misterioso “A menina que não tinha medo do escuro”, o personagem principal é um escritor perfeccionista, cheio de manias. Você é parecido com ele?
WM: Sim, sou parecido com ele. Só acho que sou mais neurótico (risos).

MNL: Nesse livro, você não deu nomes aos personagens. Por quê?
WM: Queria apenas sair da mesmice. E também por que aqueles personagens podem fazer parte da vida de qualquer um de nós. De alguma forma eles existem.

MNL: Já em “Jordan Grey”, você investiu na fantasia. Como foi o processo de criação dessa saga?
WM: Amei escrever esse livro. Adoro fantasias e aventuras. É uma saga que quero investir muito ainda.

MNL: Você acredita que esse ainda é um gênero pouco explorado no Brasil?
WM: Sim, pouco explorado pelos autores. Entretanto, muito apreciado pelos leitores.

MNL: Sobre o estilo “americanizado” da obra, certa vez você me disse que foi proposital. Por quê?
WM: Tomara que o livro se torne um best-seller e seria muito bom se fosse feito uma superprodução no cinema. Escolhi esse estilo por uma questão de mercado mesmo.

MNL: Qual é a “dica de ouro” que você daria a uma pessoa que quer começar a escrever um livro?
WM: Muita disciplina, leitura e paciência para reescrever a obra várias vezes.

Mergulho Rápido:

MNL: Uma palavra... 
WM: Silêncio!
MNL: Alguém especial... 
WM: Minha afilhada!
MNL: Uma meta... 
WM: Sempre me superar a cada ano!
MNL: Um lugar... 
WM: Meu quarto!
MNL: Uma comida... 
WM: Batatinha frita!
MNL: Um livro... 
WM: A menina que não tinha medo do escuro!
MNL: Uma música... 
WM: One - U2!
MNL: Deus... 
WM: Mistério!


É isso, pessoal. Espero que tenham curtido a entrevista. Vou deixar aqui os links das resenhas dos livros do autor Wilson Mello. Até a próxima!

Resenha: Conta Comigo



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

#Resenha: "Porto inseguro"

Título: Porto inseguro

Autor(a): Tana French

Ano de lançamento: 2014

Editora: Rocco

Nº de páginas: 496



# A história

Acontece uma tragédia em um condomínio na costa irlandesa. Jennifer Spain é resgatada com vida e internada para se recuperar de ferimentos à faca. O restante da família não teve a mesma sorte. O marido de Jenny, Patrick Spain, bem como o casal de filhos, estão mortos.

O experiente detetive Mickey Kennedy entra em ação para investigar o caso, contando com a ajuda de Richie Curran. Kennedy é um veterano da polícia e enxerga ali a chance de resgatar a credibilidade profissional, principalmente porque a mídia começa a fazer uma cobertura intensa durante as investigações.

O passado da família Spain vem à tona e o caso fica mais intrigante. Os detetives descobrem que Pat perdeu o emprego por causa da crise econômica e que o casamento dele com Jenny não andava tão bem. A vida naquela casa já não era tranquila fazia algum tempo.

# Opinião

Num primeiro momento, o detetive Kennedy passa a impressão de ser arrogante, mas aos poucos essa máscara vai caindo. Ele chega ao local do crime com um estagiário e fica passando instruções de um jeito bem-humorado, mostrando que além de ser um profissional competente, sabe transmitir seus conhecimentos aos mais novos.

O início das investigações marca um clima diferente na leitura. A autora foi bastante cuidadosa com os detalhes, fazendo o leitor se imaginar no local onde os crimes aconteceram. Outro ponto que eu destaco é a semelhança do enredo com o do livro A Sangue Frio, de Truman Capote – e isso não é uma crítica negativa. Na obra de Capote, a trama também gira em torno do assassinato de uma família (um caso verídico).

No decorrer dos capítulos, o jeito durão do detetive Kennedy vai sendo justificado. A autora humanizou o personagem, criando para ele um passado sofrido. A irmã caçula dele tem problemas psicológicos e sempre que tem uma crise, vai lhe pedir um colo. Kennedy acaba sendo o pilar da família. Ele usa o trabalho como um refúgio para fugir um pouco dos problemas. É por isso que ele é tão rígido e se dedica tanto.

Na metade do livro acontece uma reviravolta. A história entra em um clima de tensão e parece que o caso está prestes a ser solucionado, mesmo faltando muitas páginas para o final. Os dois detetives formam uma dupla afiada. Quando começam a pressionar os suspeitos, o ritmo fica alucinante. Foi quando eu mais me empolguei com a leitura e li mais rápido.

Esse livro é dividido em vários momentos, como se fosse uma montanha-russa. Outro marco importante da história é quando a dupla de detetives começa a entrevistar as pessoas diretamente ligadas à família Spain. É a partir daí que o leitor percebe quais eram as impressões que as vítimas passavam para os mais próximos e de como seria a vida delas antes de tudo acontecer. Tudo isso, no entanto, gera muita desconfiança, já que se trata da opinião de terceiros.

Vou me controlar para não entregar mais coisas. Tem só mais um ponto que vale eu destacar, que é um ingrediente que apimenta as investigações. São três itens: fóruns na internet, obsessão e lucidez. Os detetives vão fundo nisso e o mistério vai aumentando como uma bola de neve.

Por fim, vem o desfecho da história. Infelizmente, não foi à altura, pois faltou emoção. Além disso, as coisas se resolveram quando ainda restavam muitas páginas. Não tinha mais nada a ser contado e o livro não tinha chegado ao fim. Uma “barriga” desnecessária que comprometeu o final. Fora isso, a leitura foi bem dinâmica. Recomendo!



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

#Resenha: "Grey"

Título: Grey

Autor(a): E. L. James

Ano de lançamento: 2015

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 480


# A história

Cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian. Agora é a vez dele de contar sua versão sobre a intensa relação com Anastasia Steele.

Grey é um homem controlador, profissional bem-sucedido, milionário e organizado. No entanto, carrega consigo um vazio desde a infância, que só é preenchido quando a recatada senhorita Steele cai, literalmente, na vida dele. O encontro não foi programado. Aliás, nem era Ana quem deveria ter surgido naquele escritório para entrevistá-lo.

Ah, mas o destino, sempre o danado do destino... Foi ele quem se encarregou de colocá-los cara a cara. Foi a partir dali que os caminhos de Ana e Grey se cruzaram e nunca mais as coisas foram as mesmas.

O sentimento que aquela jovem tímida desperta em Grey acaba o deixando mais perturbado. Ela parece enxergar um lado dele que nenhuma outra mulher jamais conseguiu. Então, o Senhor Cinquenta Tons, de coração frio e com preferências nada convencionais, se vê em uma situação na qual precisa lidar com sua compulsão por controle, curar antigas feridas e ainda se adequar ao perfil de Ana, se não quiser perdê-la.

# Opinião

A proposta desse livro é basicamente apresentar uma mesma história, a partir de outra perspectiva. O que me intrigou de verdade foi a falta de elementos que representassem um diferencial significativo entre as obras.

A impressão é de ter visto a mesma imagem: antes, na horizontal; agora, na vertical. Só isso. Achei pouco criativo. Uma jogada esperta, eu reconheço, com um objetivo simples: publicar um livro para lucrar em cima de uma trilogia já consolidada.

Em Cinquenta tons de cinza (resenha aqui), fiquei incomodado com o jeito bobo de Ana conversar com a sua “deusa interior”. Agora foi Christian quem encheu o saco com essa mania de falar com a voz da consciência, o que acabou descaracterizando o personagem, como se ele fosse só uma versão masculina de Ana.

Outro ponto que não me agradou ao conhecer esse “novo Christian” foi o fato de que os defeitos dele ficaram muito mais evidentes. Grey é um homem extremamente arrogante, em alguns momentos trata a Ana como um lixo e o jeito possessivo dele irrita.

O leitor pode conhecer um pouco mais sobre a infância do protagonista através de trechos em que o mesmo tem pesadelos. Foi um artifício usado pela autora para explicar os traumas que fizeram Grey virar aquele homem perturbado e controlador. Porém, isso não me sensibilizou, uma vez que eu já tinha alimentado uma grande rejeição por ele.

Os diálogos continuaram fracos. Alguns, na verdade, foram reaproveitados. As ações de Christian longe de Ana foram pouco exploradas, de modo que os acontecimentos, em sua maioria, já são velhos conhecidos do leitor do primeiro livro da trilogia Cinquenta tons.

Por fim, a parte mais cansativa e inútil da obra: o contrato do dominador e da possível submissa. Quase desisti do livro quando vi que colocaram aquela chatice de novo, na íntegra. Na minha opinião, bastaria ele ter sido citado.

É isso, pessoal. Para quem quiser mergulhar nessa leitura, a dica é não esperar inovações. Até a próxima!

# Extra

Leitura recomendada para maiores de 18 anos.


domingo, 6 de dezembro de 2015

Entrevista com Wilson Mello (Parte II)

Olá!
Agora é o momento de conferir a segunda parte da entrevista com o autor Wilson Mello, parceiro do blog. Perdeu o início? Então clique aqui e mergulhe fundo.

Foto: Wanderson Leandro de Sousa















Mergulhando Na Leitura: Você além de ser escritor, ministra palestras também. O que é mais desafiador: encarar uma plateia ou escrever livros?
Wilson Mello: Encarar uma plateia é sempre mais desafiador. Escrever um livro é um desafio e diversão ao mesmo tempo.

MNL: Você já bateu alguns recordes como escritor. Um deles é o de livros escritos em menos tempo. Como foi essa experiência?
WM: Foi diferente. Aconteceu meio que subitamente e não esperava conseguir bater um recorde em tão pouco tempo.

MNL: E como leitor, você gostou dessas obras escritas em tão pouco tempo?
WM: Elas são boas, sim. Claro que não tem a qualidade de um livro mais elaborado.

MNL: Você também é o autor que terminou, mais rapidamente, de escrever um livro começando do último capítulo ao primeiro. Qual é a diferença de escrever nessa situação?
WM: Para mim, tanto faz. Não vejo dificuldades em escrever um livro normalmente ou começando pelo final. Desenvolvi técnicas para criar história partindo do final.

MNL: E quanto tempo você levou para escrever o maior livro de ficção (foto), com 5.000 páginas?
WM: Foram necessários três meses. Contudo, poderia ter feito em menos tempo. A ideia era escrever o livro em dois meses. Quando se escrever regularmente, o texto rende.

MNL: Quais foram os cuidados para que esse livro tão extenso ficasse coerente e interessante do início ao fim?
WM: Muita atenção. Pesquisa e mmmmmmmmmuito suspense.

MNL: Quais são os outros recordes que você já quebrou?
WM: São sete recordes brasileiros:
1) 133 livros publicados sobre arcanjos.
2) O autor que mais publicou livros em um ano, 175 livros.
3) Mais rápido a escrever cinco livros ao mesmo tempo.
4) Mais rápido a escrever três livros em diferentes estilos, infantil, infantojuvenil e contos.
5) Mais rápido a escrever um livro de trás para a frente.
6) Mais rápido a escrever dois livros ao mesmo tempo.
7) Maior livro de ficção em número de páginas, 5000.

MNL: E você pretende continuar investindo na quebra de recordes? Quais?
WM: Sim. No momento quero quebrar o recorde de ser o mais rápido a escrever e publicar um livro.

É isso, mergulhadores. Na última parte da entrevista, o autor vai falar sobre algumas de suas obras. Fiquem ligados!



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

#Resenha: "Recomeço"

Título: Recomeço

Autor(a): Cat Patrick

Ano de lançamento: 2014

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 304



# A história

Daisy faz parte de um programa do governo chamado Recomeço, que é um composto ultrassecreto que traz os mortos de volta à vida. Tudo começou depois que ela sofreu um acidente de ônibus que a matou, bem como a outras crianças que também passaram a serem cobaias do experimento.

A impressão que Daisy tem é de que sua vida é uma grande mentira. Agora com 15 anos, ela já morreu outras quatro vezes. A cada morte, ela ganha um sobrenome novo e precisa mudar de cidade. Essa inconstância acaba afetando os relacionamentos dela, pois ela sabe que a qualquer momento terá que recomeçar uma nova vida em outro lugar.

Depois de morrer novamente, Daisy Appleby viva Daisy West ao chegar à cidade de Omaha. Desta vez, ela está disposta a criar laços mais sólidos com as pessoas. É assim que ela conhece seus primeiros amigos de verdade, os irmãos Matt e Audrey.

No meio daquela tentativa de criar raízes em Omaha, Daisy descobre segredos do Recomeço que a fazem pensar que não passa de uma marionete nas mãos de pessoas ambiciosas, com planos bem maiores do que ela poderia imaginar.

# Opinião

Primeiramente, quero falar sobre a capa do livro, que transmite a essência do enredo. A ilustração nos dá as sensações de queda, insegurança e vulnerabilidade. Essa é a saga da protagonista. A posição vertical demonstra a fragilidade da vida de Daisy, pois de uma hora para outra ela pode despencar.

Morrer e ter a possibilidade de recomeçar uma vida do zero pode parecer muito atrativo – o que não deixa de ser, até a página dois. A questão central é que o ser humano tem uma necessidade de sentir que pertence a algum lugar. Isso se torna um fardo para Daisy, pois ela sabe que as constantes mudanças fazem parte do programa, então evita ao máximo construir um alicerce firme. Vem sempre aquela sensação de culpa por saber que alguém está sofrendo pela “morte” dela, enquanto que, na verdade, ela está recomeçando sua trajetória longe dali.

As coisas só mudam quando ela conhece Matt e Audrey. Pela primeira vez, Daisy começa a sentir que tem uma vida normal e resolve se entregar de corpo e alma. Ela passa a analisar melhor os convites que recebe para ir a festas, cinema e outros eventos sociais, como qualquer adolescente comum.

No entanto, esse novo comportamento que ela adota acaba tendo consequências. Ao se apegar demais, Daisy percebe como é difícil ligar com a quebra de uma relação que foi se construindo aos poucos, na base do companheirismo, do afeto e da cumplicidade. A experiência que devia ser uma libertação torna-se o grande drama da nova vida dela.

Um ponto interessante que vale destacar é a amizade entre Daisy e Megan, outra garota que também faz parte do Recomeço. As duas conversam bastante por meio de mensagens e juntas administram um blog sobre assuntos diversos. A autora construiu personagens que realmente aparentam ter 15 anos, pois elas falam e se comportam como pessoas dessa idade.

No geral, o saldo do mergulho foi positivo. A única coisa que me desagradou foi quando o livro estava quase terminando e ainda parecia ter muita história para ser contada. Os últimos acontecimentos foram atropelados, narrados às pressas, o que acabou comprometendo o impacto do desfecho.

Para encerrar, separei um tópico que diz respeito ao apelido do homem que comanda o programa Recomeço: Deus. Pelas interferências que ele faz na vida das pessoas, não poderia ter um apelido melhor. Se vocês quiserem descobrir quais são os planos de Deus, leiam esse livro. 


domingo, 22 de novembro de 2015

Entrevista com Wilson Mello (Parte I)

Olá, mergulhadores!
Hoje eu venho mostrar a vocês a primeira parte (serão três) da entrevista com o nosso autor parceiro, Wilson Mello. Confiram!

Nome completo – Wilson Melo Cunha

Data de nascimento – 15/08/69

Naturalidade – Monte Carmelo/MG

Grau de formação – Nível superior

Profissão – Escritor


Mergulhando Na Leitura: Wilson, primeiro eu gostaria que fizesse uma rápida apresentação falando sobre você mesmo. Quem é Wilson Mello?
Wilson Mello: Alguém que sente uma grande necessidade de escrever, contar suas histórias. E um grande apreciador de arte de um modo geral.

MNL: Qual foi o momento em que você se deu conta de que levava jeito para escrever?
WM: Já na adolescência. Meu primeiro livro tinha 500 páginas. Na ocasião, eu tinha 15 anos e já queria ser escritor.

MNL: De onde você tira inspiração para desenvolver suas histórias?
WM: Elas surgem naturalmente. A qualquer momento e lugar.

MNL: Quando surge uma ideia para escrever um livro, qual é a primeira coisa que você faz? Explique como é esse processo de criação.
WM: A ideia sempre aparece do final da história. Se eu gostar, eu a escrevo. Meus livros são elaborados de trás para frente, uma vez que eu vejo sempre o final e parto dele para começar a escrever. Então, já determino o tamanho do livro e quando irei terminá-lo de escrever.

MNL: Com qual gênero literário você mais se identifica? Por quê?
WM: Eu gosto mais de ficção. A realidade todos nós já a conhecemos bem. Através da ficção o autor pode ir fundo em qualquer história, uma vez que o importante é deixar a imaginação fluir.

MNL: Você tem preferência por livros únicos ou séries?
WM: Gosto de ambos. O importante é uma boa história.

MNL: Qual foi a sensação de ver a sua primeira obra publicada?
WM: Muita emoção. E isso acontece ainda até hoje. É um filho, no final das contas.

MNL: Aqui no Brasil, quais são as maiores dificuldades para um escritor conseguir espaço no mundo literário?
WM: As grandes editoras não se arriscam e têm seus motivos para isso, em publicar novos autores. É caro publicar no Brasil. E o que elas querem é apenas lucro. Afinal, trata-se de um negócio.

MNL: Como você vê o papel dos blogs literários na divulgação da literatura nacional?
WM: Importantíssimo. Nós, autores, não somos nada sem a ajuda de nossos leitores e amigos blogueiros.

Em breve, vou postar a continuação da entrevista. Sabiam que o autor já bateu vários recordes no mundo literário? Ele vai falar sobre isso na segunda parte. Fiquem ligados! 


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

[Mergulhei Fundo] - Uma Duas

Título: Uma Duas


Autor(a): Eliane Brum


Editora: Leya


Ano: 2011


Nº de páginas: 176



“E ela sente que nunca mais o grito cessará, que aquele grito é para sempre, é um grito para toda a vida e para além da vida. Porque agora ela alcança a inteireza do horror. E gritos são coisas que não viram palavras, palavras que não podem ser ditas. Não há como escapar da carne da mãe. O útero é para sempre.”

Uma Duas é uma obra sobre relação entre mãe e filha. O pai? Deixou o lar. Bem, isso poderia ter aproximado as duas, mas não foi assim que as coisas se desenrolaram. O que aconteceu mesmo foi que elas passaram a vida inteira se maltratando e se comportando como estranhas debaixo do mesmo teto.

O passatempo preferido de Maria Lúcia era infernizar a vida da filha, a jornalista Laura. No fundo, elas não podiam ficar nem um dia longe uma da outra. A necessidade que tinham de se odiar era uma forma de demonstrar que se amavam, apesar de tudo.

Um sério problema de saúde afeta essa convivência de maneira assustadora. Diante da possibilidade de perder a mãe, Laura se dá conta de que se importa e de que gosta dela muito mais do que poderia imaginar. 

“Como sempre, esquece onde está enquanto escreve. A escrita é um lugar que ela pode habitar. É reconfortante escrever sobre a vida dos outros. Esta é a melhor parte de ser jornalista. Poder escrever sobre uma realidade que não precisa virar ficção para ser pronunciada.”

As personagens criadas por Eliane Brum conseguiram me dividir durante todo o livro. Em um momento, eu gostava delas, me sensibilizava com a dor da mãe e da filha, mas logo depois eu me irritava com certas atitudes e queria abandonar a leitura.

Maria Lúcia é uma mulher extremamente amarga, ranzinza, que reclama de tudo. Laura tem um problema sério de identidade. Às vezes, ela se comporta como uma criança de 6 anos, querendo chamar a atenção das pessoas, principalmente da mãe. O que as duas têm em comum são os traumas que carregam.    

“Teria preferido que Laura fosse vendedora de qualquer coisa a jornalista. Nunca achei decente esse negócio de escrever, pior ainda sobre a vida alheia, como ela fazia até pouco tempo. E agora estou aqui, escrevendo numa cama como se disso dependesse a minha vida.”

Como as personagens têm mentes perturbadas, a narrativa se torna um pouco estranha. Entretanto, é assim também que o leitor consegue se sentir íntimo delas e pode compreender aquela dor que as afeta de forma tão profunda. 

Foi uma leitura complexa, mas que valeu a pena. Podem anotar a dica. 



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

#Resenha: "Os 13 porquês"

Título: Os 13 porquês

Autor: Jay Asher

Ano de lançamento: 2009

Editora: Ática

Nº de páginas: 255


# A história

O jovem Clay Jensen tem uma grande surpresa ao voltar da escola. Na porta de casa, ele encontra um misterioso pacote com o seu nome. Era uma caixa de sapatos com várias fitas cassetes dentro.

Clay achou tudo aquilo muito estranho, mas começou a ouvir o conteúdo das fitas, tendo, assim, mais um choque: a voz que aparecia nas gravações era de Hannah Baker, a colega de classe de quem ele gostava e que havia cometido suicídio duas semanas antes.

Mas, por que ela gravou aquelas fitas? Ouvindo as gravações, Clay toma conhecimento dos 13 motivos que levaram Hannah à decisão de acabar com a própria vida. O garoto se desespera ao descobrir que é um desses motivos e, o pior de tudo, é que ele não pode fazer nada para mudar o que aconteceu.

Agora, o que está ao alcance de Clay é terminar de ouvir as fitas e passá-las adiante para o próximo da lista. Depois disso, restará apenas o peso da culpa.

# Opinião

Haja coração para terminar esse mergulho! Há vários adjetivos que eu poderia usar para descrever um pouco do que é esse livro: angustiante, intenso, perturbador, intrigante, triste, polêmico, envolvente, dentre outros. Fiquei até sem fôlego!

Os 13 porquês aborda temas sérios como depressão, abuso sexual, drogas, suicídio e, principalmente, bullying. O autor foi feliz ao incluir tudo isso em uma narrativa com forte apelo de suspense. Como o próprio título mostra, são 13 motivos que levaram ao suicídio da personagem Hannah.

Durante boa parte do livro, fica essa pulga atrás da orelha do leitor, pois a “missão” é justamente descobrir todas essas razões. A tensão vai crescendo a cada página e bate também aquela aflição por sabermos que não há nada capaz de mudar o trágico acontecimento que desencadeia toda a trama.

Outro ponto positivo é que a narrativa não se concentra apenas nos relatos de Hannah. O leitor pode acompanhar ao mesmo tempo as reações do protagonista Clay. Desta forma, há sempre uma perspectiva diferente de um mesmo fato, o que também tornou a leitura mais dinâmica.

Em alguns momentos, você pode pensar que os motivos apresentados no livro são superficiais e até se pergunte: “Por que alguém se mataria por isso?”. Porém, a própria Hannah explica que as pequenas coisas se transformaram em uma enorme bola de neve.

No final, a mensagem que fica é que ninguém sabe totalmente o que se passa na cabeça de outra pessoa. O importante é não julgar, nem virar as costas quando alguém está precisando de ajuda. Por fim, anotem a dica e não deixem de ler Os 13 porquês.

# Extra

Recentemente, eu fiz um TOP 13 com trechos do livro. Confiram aqui.