domingo, 6 de março de 2016

[Mergulhei Fundo] - Meninos, eu conto

Título: Meninos, eu conto


Autor: Antônio Torres


Editora: Record


Ano: 1999


Nº de páginas: 80



Meninos, eu conto reúne três histórias: Segundo Nego de Roseno; Por um pé de feijão e O dia de São Nunca. Os contos são ambientados em um lugar esquecido, simples, rural. O autor Antônio Torres deixou sua marca em cada história, pois ele mesmo se parece com aqueles meninos que brincam com caminhõezinhos de madeira.

Antônio nasceu em um pequeno povoado chamado Junco, interior da Bahia, que hoje é a cidade de Sátiro Dias. Ele diz que os tempos mudaram, mas que compartilha os sonhos, sentimentos e conflitos dos meninos que retrata em sua obra, porque ainda se sente como um deles.

“Ia comprar um pão de água e sal ou mesmo um pão de milho. Agora podia comprar o que quisesse, porque as três notas que o padre lhe dera compravam muitas coisas. Mas ia devagar. Lá na roça seu pai o aguardava com uma enxada”.

Segundo Nero de Roseno narra a aventura de um garoto que saiu para comprar pão e gastou o dinheiro com outra coisa (leiam para descobrir com o que foi). A forma como o autor conta essa história faz a gente se enxergar naquele menino. O conto traz a inocência da criança que pega um pouquinho de dinheiro e já acha que pode comprar tudo. Quem nunca?

A ingenuidade também se faz presente quando ele tenta arrumar uma desculpa para justificar a demora, sem imaginar que o pai dele descobriria a verdade logo de cara. Esse conto explora características bem marcantes do interior, como os hábitos simples e o fato de todo mundo se conhecer. Aquela gente passa por muitas dificuldades, mas são solidárias umas com as outras e possuem uma relação de companheirismo (que está em falta nos dias de hoje, não é mesmo?).

“Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?”.
Ilustração de miolo: Noguchi
Por um pé de feijão é um conto bem curtinho que mostra um drama bastante comum na vida de quem trabalha com plantações: a possibilidade de ver o trabalho de muito tempo ir para as nuvens, de um dia para o outro, por causa de algum desastre natural. Na história, todos estavam empolgados com a quantidade de feijão que tinham conseguido. Alguns até apostavam quantos sacos daria para encher. O que ninguém podia prever era que todo o feijão seria consumido pelo fogo. 

A mensagem que o conto traz é que, mesmo com todos os problemas, precisamos ter esperança de que novas oportunidades irão surgir. Temos que esquecer o que passou e focar nas próximas colheitas. Precisamos parar de chorar pelo “feijão queimado”. Sejamos otimistas!

“Ele balançou os dedos no ar, como sua mãe fazia, ao terminar a reza. Era esse gesto que espantava o mal. A reza tirava o mal do corpo para os galhos da arruda, e a batida dos dedos sacolejados no espaço derrubava-o por terra, para debaixo do chão”.

O dia de São Nunca é o maior e mais profundo conto do livro. Ele apresenta a história de um menino esperto, que tem um pai é um alcoólatra e uma mãe rezadeira que trabalha na roça. Na solidão de sua casa, o garoto começou a conversar com uma lagartixa e chamava-a de “irmãzinha”. Certo dia, ele abre a porta para três desconhecidos e fica encantado com a presença deles. O mais interessante desse conto é a fé que o menino tem na reza da mãe dele. Só lendo mesmo para vocês entenderem como é tocante.

Para finalizar, gostaria de dizer que eu curti muito a escrita do autor. Os textos trazem o olhar das crianças e isso é o que faz a diferença na obra. A pureza delas até faz a gente esquecer por alguns instantes como a situação em que elas se encontram é difícil. Anotem a dica, pois é um livro no qual vale a pena mergulhar fundo.


2 comentários:

  1. Ei, te indiquei para um prêmio lá no meu blog. É como uma "corrente de indicações e espero que você goste das minhas. Beijos, Isa.
    http://belblioteca.blogspot.com.br/2016/03/premio-dardos.html

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    Respostas
    1. Olá, Isa!
      Vou conferir. Obrigado.
      Beijos!

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