quarta-feira, 2 de julho de 2014

#Resenha: "A garota que eu quero"

Título: A garota que eu quero

Autor: Markus Zusak

Ano de lançamento: 2013

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 176



# A história

Alguma vez o sentimento de derrota tomou conta de você? Pois é. Cameron é dominado por tal sentimento em boa parte deste livro que encerra a trilogia Irmãos Wolfe.

Diferentemente de Steve, seu irmão mais velho que tem talento para jogar futebol, e de Ruben, seu irmão bom de briga que faz sucesso com as garotas, Cameron não possui – pelo menos é o que ele acha – uma qualidade que o destaque dos demais. O pai dele voltou a trabalhar como encanador depois de um tempo desempregado, a mãe continua trabalhando muito e cozinhando mal e Sarah, sua outra irmã, parece ter finalmente sossegado e não chega mais embriagada em casa.

Uma garota chamada Octavia era a mais nova conquista de Ruben e, assim como as outras, não durou muito. Enquanto isso, Cameron esperava pela garota certa. Ele ia todos os dias à casa de Stephanie, observava de longe, mas ela nunca aparecia. Talvez nem soubesse da presença dele ali. Quando Octavia vai ao local e critica o seu comportamento, Cameron percebe que desperdiçou seu tempo correndo atrás de Stephanhie e passa a olhar a ex-namorada de seu irmão de um jeito diferente.

# Opinião

Eu vou começar dizendo que a obra superou minhas expectativas. Antes mesmo de saber que o livro fazia parte de uma trilogia, cheguei a subestimá-lo. Achei que não valeria a pena. Pensava que ele era apenas mais um romance clichê destinado ao público jovem. Meu preconceito cresceu pelo fato de ser um autor reconhecido por um livro de grande sucesso: A Menina Que Roubava Livros. O receio que eu tinha era por pensar que o talento de Zusak era puro marketing. Mas, ele me provou o contrário.

Notei que a escrita do autor evoluiu bastante neste último livro, se comparado ao primeiro. A trilogia Irmãos Wolfe poderia ser resumida da seguinte forma: no primeiro livro, O Azarão, vem à tona as dificuldades da adolescência e o foco está na busca da identidade; no segundo livro, Bom de Briga, a trama ganha um toque de ação e os personagens começam a tomar um rumo na vida; já em A garota que eu quero, o romance ganha espaço e as relações familiares se fortalecem.

Nos dois primeiros livros, o riso saiu com mais facilidade. Isso não significa que o terceiro livro tenha perdido o humor. Acontece que Zusak optou por fisgar o leitor através da emoção neste último livro. Cameron é tomado por uma forte crise existencial. Apesar de haver sempre uma ironia na fala do personagem, percebemos que ele guarda muitas angústias dentro dele e o autor mostrou isso de forma tocante.

Como de costume, os capítulos terminam com um diferencial. Cameron solta a imaginação e joga no papel uma série de reflexões que, para mim, foram o ponto alto da história. Acho que eu compraria um livro só com os pensamentos dele. Gostei também do modo como ele trata a Octavia, sempre com muito respeito. Desde o primeiro livro, ele já demonstrava que tinha um grande coração.

Agora falando a respeito da capa do livro, acho que ela não transmite o universo da história. As capas dos livros anteriores não são magníficas, mas seria interessante se tivessem mantido o estilo em toda a trilogia. A mudança é compreensível, uma vez que os dois primeiros livros foram publicados por outra editora, a Bertrand Brasil.

# Extra

Vocês podem conferir também as resenhas de O Azarão (aqui) e de Bom de Briga (aqui). Adorei a trilogia e pretendo ler outras obras de Markus Zusak. Recomendo!


2 comentários:

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