sábado, 28 de maio de 2016

Por onde andam as costureiras?

Olá, mergulhadores!

Com a chegada da tecnologia, algumas profissões acabaram perdendo espaço. Trabalhos manuais foram substituídos por máquinas, gerando o chamado desemprego estrutural. Vale ressaltar que a revolução tecnológica não é a única responsável por este cenário, mas tem sua parcela de contribuição.

Melhores condições financeiras, por exemplo, levam o indivíduo a comprar um sapato novo, ao invés de mandar um velho para o conserto ou a comprar uma roupa nova exposta na vitrine, ao invés de levar uma peça até uma costureira para que faça pequenos ajustes.

Com isso, o trabalho desses profissionais é muitas vezes ofuscado e até esquecido. Você pode nem imaginar de onde veio a colcha que cobre e decora a sua cama. Talvez nunca tenha pensado nisso. Como seriam as mãos da pessoa que trabalhou naqueles detalhes da costura: lisas e delicadas, ou ásperas, com marcas do tempo? 

Dona Elisa Monteiro, com seus 83 anos, segue a risca os ensinamentos de sua mãe, que a impedia de ficar nas portas dos vizinhos ou de bater papo nas calçadas. Ela aprendeu a lição e hoje é muito feliz na companhia da sua máquina de costura. O domínio da arte dos tecidos se deu, segundo ela, através de muita observação e da ajuda de Deus.

Casada há 60 anos, o relacionamento de Dona Elisa com a costura tem praticamente o mesmo período de tempo. Ela conta que trabalhou em roçado ajudando o pai, que era muito rígido. Juntou o dinheiro que ganhava trabalhando em uma bodega e conseguiu comprar sua primeira máquina. Começou a trabalhar por amor, não por necessidade.

Dona Elisa também já se aventurou a fazer labirinto, mas diz que prefere costurar: “Labirinto é um bicho bom, mas dá muito trabalho”. Ela faz questão de destacar que faz suas próprias roupas, porém se recusa a fazer para outras pessoas: “Acontece de uma gostar e outra não gostar. Não quero. Cansei de fazer”, diz com convicção, enfatizando que se sente melhor ao fazer colchas de cama.



A procura pelos serviços dela ainda é grande: “Um dia desses, eu recebi uma encomenda. Eram umas trinta colchas. Deu muito trabalho, mas consegui entregar. Levei uns vinte dias ou mais”, conta orgulhosa. As colchas são vendidas na loja da filha dela. Cada uma custa de R$12,00 a R$15,00.

Quanto ao dinheiro, ela diz que ganha pouco, mas não se importa, pois costurar é uma forma de passar o tempo: “Pelo menos eu me distraio. É melhor do que dormir ou ficar falando da vida alheia”. Apesar de reclamar da vista, que já não é tão boa quanto antes, Dona Elisa ainda tem muita disposição para a costura.

2 comentários:

  1. Lindo o escrito a custura euito prazeroso ,saber do prazer de costurar sempre fez dela uma mulher diferente

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