Título: Droga de Americana!
Autor: Pedro Bandeira
Ano de lançamento: 2009*
Editora: Moderna
Nº de páginas: 192
# A história
Droga de Americana! é o quinto livro da série Os Karas.
Peggy, filha do presidente dos Estados Unidos e amiga de Magrí, está no Brasil para uma exibição de ginástica olímpica no Colégio Elite. O pai da jovem atleta considera uma exposição desnecessária que pode colocá-la em risco. Então, tentando garantir que ela saia de lá em segurança, mobiliza homens de sua confiança para comandarem uma operação de esvaziamento imediato do local após o evento.
Tudo ocorre como o previsto até a saída das meninas do ginásio, quando o caos se instala. Um gás é liberado no vestiário feminino e todas caem desacordadas. Os dois seguranças que vigiavam a porta são assassinados e Peggy é levada. A principal pista é o som de um helicóptero ouvido por testemunhas, indicando que os criminosos não eram amadores e teriam se antecipado ao esquema montado pelas autoridades americanas.
Em troca da liberdade da adolescente, os sequestradores exigem que o presidente dos EUA mude um discurso importante que pretende fazer na televisão naquela noite. O horário do pronunciamento se aproxima, e um dos homens mais influentes do mundo precisa tomar uma decisão. Enquanto isso, Miguel, Calú, Crânio, Magrí e Chumbinho decidem agir por conta própria para evitar a morte de uma inocente e uma potencial crise global.
# Opinião
O conflito principal de Droga de Americana! é o que mais se aproxima da realidade para os Karas. Nos livros anteriores, existe certa dose de fantasia nas histórias. Já aqui, o grupo se vê numa situação de perigo real envolvendo gente poderosa e que pode abalar o mundo inteiro. A narrativa, portanto, apresenta um tom mais sóbrio e adulto.
Carismáticos, inteligentes e corajosos, os jovens investigadores também mostram o quanto são humildes e generosos ao deixarem o detetive Andrade fazer seu trabalho como manda o figurino. Em nenhum momento eles agem com a intenção de saírem bem na foto, como heróis. Pelo contrário, tudo é feito com cuidado para permanecerem no anonimato, o que se torna um enorme desafio diante da repercussão do caso na imprensa nacional e internacional.
Como enfatizei na coluna Primeiras impressões, Chumbinho sinalizava que teria grande participação na trama do sequestro. É exatamente assim que tudo se desenvolve. O baixinho se agiganta para ajudar Peggy enquanto tenta se comunicar com seus amigos de forma discreta e segura, respeitando todas as regras que norteiam os Karas. Essa postura ganha um peso ainda maior se levarmos em conta que ele chegou por último ao grupo. Então, o pequeno espião demonstra mais uma vez seu valor aos amigos e enterra para sempre a antiga imagem de garoto inconveniente que enfia o nariz onde não é chamado.
A história inteira se desenrola em aproximadamente nove horas. Isso traz um bom dinamismo para a narrativa, por mais que não haja muitas mudanças de cenário entre um capítulo e outro. O foco está o tempo todo em estourar o cativeiro sem colocar a vida de ninguém em risco e sem provocar uma escalada de conflitos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos. Questões que têm mais espaço nos outros livros da série, como as paixonites de adolescência, aparecem de maneira mais sutil dessa vez. Acredito que a escolha por esse caminho foi coerente com as situações impostas pelo enredo.
Pedro Bandeira também provoca uma reflexão crítica ao incorporar ao eixo dramático a visão depreciativa dos estrangeiros em relação ao Brasil, como ocorre em A Droga do Amor. Se no quarto livro os criminosos tramam executar o plano aqui e escapar devido à fragilidade das nossas leis, agora o preconceito se manifesta na resistência da polícia estadunidense em confiar nas autoridades brasileiras para proteger a filha do presidente dos EUA. Assim, vira uma batalha de egos que só aumenta a tensão para o resgate. Algumas coisas até têm fundamento, mas no geral as picuinhas são uma perda de tempo.
Droga de Americana! mostra bem o crescimento dos Karas, em todos os sentidos. Quanto ao desfecho, embora não seja dos mais surpreendentes, prende a atenção e não deixa furos. Teria sido uma despedida digna para a série, que de fato foi dada como encerrada até 2014, quando o autor lançou A Droga da Amizade. Estou curioso para saber se a essência foi mantida no sexto volume, com os personagens principais já adultos.
*O livro foi publicado pela primeira vez em 1999.

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