domingo, 2 de junho de 2013

O perfil dos noveleiros

Imagem: Ygo Maia


Certo dia, um professor da faculdade começou a falar sobre novelas e afirmou que o público com poucas condições financeiras não gosta de ver gente pobre na televisão, pois a realidade deles já era muito difícil e causava desconforto ver aquilo sendo retratado em um programa de entretenimento. Segundo ele, a classe C gosta de assistir às novelas que exibem casarões luxuosos, pessoas ricas, empresas e belos carros. Será que as coisas funcionam assim mesmo?

Defendo uma teoria diferente e escolhi alguns exemplos para argumentar: a novela “Guerra dos Sexos” (2012/2013), de Silvio de Abreu e a novela “Avenida Brasil” (2012), de João Emanuel Carneiro, ambas da Rede Globo.

Vou começar falando sobre Guerra dos Sexos. O folhetim exibido na faixa das 19h não encantou o grande público e ficou longe de repetir o sucesso da versão original dos anos 80. O autor disse, antes mesmo da estreia, que era um novo produto, pois o Brasil havia mudado e isso exigia algumas adaptações no roteiro.

As adaptações parecem ter ficado restritas ao espaço conquistado pela mulher no século XXI. E o resto? Provavelmente os resultados seriam melhores se fosse levado em conta que os noveleiros de hoje preferem acompanhar outros tipos de conflitos na telinha e que a classe média ganhou visibilidade.

Guerra dos Sexos pecou por mostrar em excesso uma realidade elitizada que não agrada mais. Ainda que existisse o núcleo pobre da novela – destaque para Drica Moraes pela composição de sua personagem Nieta –, o foco principal da trama não convencia. Eram muitos diálogos sobre orçamentos de lojas, faturamento, gastos, herança, ou seja, muitos números e muita burocracia.

Do outro lado está o fenômeno Avenida Brasil, a novela das 21h que parou o país. Poucas vezes tivemos a chance de acompanhar uma novela tão popular quanto esta. Alguns personagens pareciam ser nossos vizinhos, como o Leleco (Marcos Caruso), que se sentia um garotão e adorava jogar sinuca no bar com os amigos. E o “Divino” – bairro fictício – tinha características muito semelhantes a vários bairros do Brasil.

O folhetim também tinha o núcleo rico que vivia na Zona Sul do Rio de Janeiro, mas o foco dos conflitos não era a burocracia de uma empresa. Quando Cadinho (Alexandre Borges) perdeu todo o seu dinheiro e se mudou para o Divino com suas três mulheres: Alexia (Carolina Ferraz), Noêmia (Camila Morgado) e Verônica (Débora Bloch), a novela ficou ainda melhor e a trama concentrada em um bairro que era a cara do Brasil, contribuiu para o sucesso.

Sendo assim, não dá mais para dizer que (toda) a classe média quer ver gente milionária nas novelas. Não é à toa que em Salve Jorge (2012/2013), assinada por Glória Perez, o núcleo da distinta família Flores Galvão, da Dona Leonor (Nicette Bruno), tenha sido ofuscado pelo núcleo do Complexo do Alemão, comandado por Maria Vanúbia (Roberta Rodrigues), Pescoço (Nando Cunha) e companhia.

Quanto menos terno e gravata... melhor!

7 comentários:

  1. Olá Ygo vc mencionou uma entrevista comigo,não é? Nada me deixaria mais orgulhosa! Adoro leitores ativos ^^

    http://joicy-santos.blogspot.com.br/

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  2. Oi Ygo.
    Ótima postagem, não curto novelas, mas confesso que o final de avenida brasil eu vi rsrsrs.
    Postagem divulgada no Portal Teia.
    Até mais meu amigo.

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    1. Obrigado!
      Avenida Brasil foi um grande fenômeno da TV Brasileira.
      Volte sempre!

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  3. Interessante esse ponto de vista sobre as novelas. Não vejo porque não gosto mesmo.
    Beijos!
    Paloma Viricio- Jornalismo na Alma.

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    1. Volte sempre, Paloma!!
      Obrigado por participar...
      Beijos!!!

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  4. Eu não vejo novelas, mas sempre achei que as pessoas gostam de ver elas mesmas lá, pois sem o personagem é o coitadinho, é como se não tivessem que trabalhar e estudar para serem os "mocinhos".

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    1. Nunca tinha pensado nisso, cath's.
      (:

      Abraços!!!
      Seja bem-vinda ao blog...
      Volte sempre que quiser.

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